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Bosch acusada de chantagear trabalhadores e fomentar precariedade

A denúncia surgiu esta segunda-feira, através da deputada do PCP Carla Cruz, à margem de um encontro com a comissão de trabalhadores da Bosch de Braga. Outras questões como a precariedade foram mencionadas.

Créditos / Wikimedia Commons

As acusações surgiram ontem, à margem de um encontro da deputada Carla Cruz, eleita do PCP na Assembleia da República por Braga, com a comissão de trabalhadores da unidade da Bosch nessa cidade.

Em declarações à agência Lusa, citadas por O Minho, a deputada comunista denunciou a existência de formas de pressão pela empresa sobre cerca de 100 trabalhadores para que mudem de turno, em forma de «chantagens», além de recorrer a vínculos precários para preencher postos de trabalho efetivos.

«O que nos foi dito é que há um número expressivo de trabalhadores que agora estão a ser contratados por via de uma empresa de trabalho temporário, não são efectivos da Bosch, ou seja, a empresa está a recorrer a trabalho precário e temporário para preencher postos de efectivo», denunciou Carla Cruz.

Sobre a mudança de turno, a deputada explicou que «um dos objetivos [da reunião] era perceber como decorre a implementação do fim do 3.º turno, que funciona das 23h às 06h, e aquela que tem sido a chantagem da empresa para que passem para o 4.º e 5.º turnos». Os turnos em questão passam pelo trabalho em todos os fins-de-semana e com uma rotatividade muito penosa.

Uma situação que já motivou um protesto dos trabalhadores no centro de Braga, realizado a 16 de Abril, contra as pressões da Bosch e as consequências dos turnos, tanto do ponto de vista familiar como de saúde, além de afirmarem que a empresa tem «condições para encontrar outras soluções que não passam por aí».

Fim do contrato colectivo fragilizou novos trabalhadores

A deputada adiantou ainda que, apesar do salário base na Bosch ser superior ao mínimo nacional, existem diversas discriminações entre trabalhadores, em detrimento dos mais recentes. Uma situação derivada da caducidade da contratação colectiva e que beneficiou a empresa.

«O fim da contratação coletiva permitiu que apenas os de maior antiguidade tenham maior majoração pelo trabalho nocturno, diuturnidades. Os que não estão abrangidos por esses contratos mais antigos já não, ou seja, para funções idênticas temos salários diferentes», explicou.

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