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Apeadeiro 2020: CP e Governo PS protegem empresa que não paga salários

A reunião de ontem desmentiu todas as promessas do Governo PS: a CP não denunciou o contrato, nem lançou um concurso urgente, para substituir a Apeadeiro 2020, que continua sem pagar os salários de Fevereiro.

Os trabalhadores da Apeadeiro 2020, que faz o serviço de bares e refeições nos comboios da CP, estão em greve desde o dia 1 de Março, com vigilia/acampamento à porta das estações de Santa Apolónia, Lisboa (na imagem) e Campanhã, no Porto. Os 130 trabalhadores exigem o pagamento dos salários de Fevereiro, questão que a empresa continua a ignorar com a conivência da CP e do Governo PS.  
Os trabalhadores da Apeadeiro 2020, que faz o serviço de bares e refeições nos comboios da CP, estão em greve desde o dia 1 de Março, com vigilia/acampamento à porta das estações de Santa Apolónia, Lisboa (na imagem) e Campanhã, no Porto. Os 130 trabalhadores exigem o pagamento dos salários de Fevereiro, questão que a empresa continua a ignorar com a conivência da CP e do Governo PS.  Créditos / Sindicato de Hotelaria do Sul

Ao contrário do que tinha sido assumido pelo Secretário de Estado das Infraestruturas, Francisco Frederico, em que dava por garantido, «aos representantes dos trabalhadores, a denúncia imediata do contrato e um concurso urgente», nada foi feito pelo Governo PS e a CP. Os 130 trabalhadores sem salário foram abandonados pela tutela.

A Apeadeiro 2020, empresa que explora, há dois anos, o serviço de refeições dos bares dos comboios de longo curso, Alfa Pendular e Intercidades, da Comboios de Portugal (CP), ainda não pagou os salários do mês de Fevereiro, embora os trabalhadores tenham cumprido as suas funções, sem falha.

Na reunião de quarta-feira, 8 de Março, a Apeadeiro 2020 afirmou a sua intenção de reunir com a CP e (inexplicavelmente para uma empresa que roubou o trabalho a mais de uma centena de trabalhadores) «propor a renovação do contato de concessão e, deste modo, dar entrada no Tribunal com um requerimento de Plano de Recuperação de Empresa (PER)».

Resumidamente, lamenta a Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (Fesaht/CGTP-IN), em comunicado enviado ao AbrilAbril, «a CP e o Governo deixaram os trabalhadores ao abandono este tempo todo, não cumpriram com a palavra dada e continuam sem solução à vista para o problema».

A Apeadeiro 2020, «para enganar os incautos, veio nesta reunião repetir o que anda a dizer desde Janeiro, sabendo, como sabe, que a empresa não tem qualquer viabilidade económica». Em Janeiro, os salários já tinham sido pagos com um atraso significativo.

Em plenário realizado logo a seguir à reunião, na estação da Campanhã, no Porto, os trabalhadores da Apeadeiro 2020 decidiram manter a greve por tempo indeterminado e as vigílias e acampamentos no Porto e em Santa Apolónia, em Lisboa. 

Foi também agendada uma acção de luta em Estarreja, na Confeitaria Miranda, empresa que pertence ao sócio gerente da empresa que roubou os salários, para a próxima sexta-feira, 10 de Março, às 11h, em que os trabalhadores vão exigir que lhes sejam pagas todas as horas trabalhadas (e pelas quais a Apeadeiro 2020, os patrões, foram pagos).

O PCP entregou hoje um requerimento no Parlamento para ouvir o ministro das Infraestruturas, João Galamba, e o presidente da Comboios de Portugal (CP) sobre a situação dos 130 trabalhadores dos bares, que têm os salários de Fevereiro em atraso.

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