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Adesão total à greve dos estivadores

A greve dos estivadores do Porto de Lisboa teve início esta manhã e pretende denunciar os salários em atraso e a não aplicação das actualizações negociadas.

Estivadores precários manifestam-se junto ao Porto de Setúbal durante a greve em Setúbal, 14 de Novembro de 2018. 90% dos contratos no Porto de Setúbal são vínculos precários.
CréditosAndré Areias / Agência Lusa

O Sindicato dos Estivadores e Actividade Logística (SEAL) congratula-se com a adesão à greve – que afecta as empresas Liscont, Sotagus, Multiterminal e TMB (Terminal Multiusos) – e disse à Lusa que os trabalhadores foram empurrados para esta acção de luta devido ao incumprimento das actualizações salariais que estavam previstas e aos salários em atraso nos últimos 18 meses.

O presidente do SEAL, António Mariano, acusa as empresas de estiva de quererem acabar com a actual empresa de trabalho portuário, a Associação de Empresas de Trabalho Portuário de Lisboa (A-ETPL), criando outra em sua substituição, e efectivar um despedimento colectivo a abranger a maior parte dos trabalhadores do Porto de Lisboa.

«A situação financeira da A-ETPL só é desequilibrada porque os tarifários que eles [empresas de estiva] praticam, de cobrança do custo do estivador à empresa de trabalho portuário, mantém-se inalterado há 26 anos. Se tivesse sido actualizado, não era nos 65% da inflação, mas em 10 ou 15%, a empresa teria uma situação financeira excelente», defendeu.

Na sequência das declarações públicas do presidente da A-ETPL, Diogo Marecos – que afirmou que os estivadores têm salários acima da média e que podem atingir os cinco mil euros por mês –, António Mariano afirmou tratar-se de uma «campanha negra».

«Costumo responder à questão dos cinco mil euros dizendo que, se trabalhar por três estivadores, sou capaz de ganhar esse valor. A questão é que os salários são bastante inferiores em média; há trabalhadores a receber abaixo dos 800 e 700 euros em Lisboa e outros portos nacionais», disse.


Com agência Lusa

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