Condições de vida dos argentinos degradaram-se com a governação de Macri

Uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos Metropolitanos (CEM), centrada em Buenos Aires, mostra que, um ano depois de Macri ter começado a governar, os argentinos vivem pior e temem perder o emprego, a casa ou passar fome.

A pobreza e a desigualdade aumentaram na Argentina com a governação de Macri
Créditos / infobae.com

A pesquisa, divulgada ontem pelo jornal Página/12, revela que sete em cada dez habitantes de Buenos Aires e da sua área metropolitana consideram estar em situação de insegurança económica e que quase metade pensa estar em risco de perder o emprego.

Referindo-se ao último ano, 38% dos entrevistados na cidade de Buenos Aires afirmaram que, nas suas casas, as refeições se tornaram mais pequenas, por não terem dinheiro para comprar alimentos. Essa percentagem sobe para 45% na área metropolitana.

Além disso, 28% dos habitantes da Grande Buenos Aires disseram que, nas suas casas, a dada altura, alguém passou fome por não haver dinheiro para comprar alimentos.

Insegurança económica

72% dos consultados disseram estar numa zona de insegurança económica, um dado que, segundo o Página/12, vem confirmar os resultados de levantamentos anteriores, nos quais sete em cada dez pessoas afirmavam que a situação em suas casas era má ou muito má.

A este propósito, a pesquisa mostra que, para 45% dos entrevistados, o rendimento familiar não chega para as despesas. Essa fasquia sobe para 55% na Grande Buenos Aires, chegando a atingir os 62% em algumas zonas. Atingidos pelos aumentos em vários sectores, da Saúde aos Transportes, pelos despedimentos e pelo desemprego, afirmam que, nos últimos 12 meses, as suas condições de vida pioraram. O Página/12 sublinha que, em toda a área metropolitana, incluindo a cidade de Buenos Aires, são muito poucos os que dizem que a sua vida melhorou no último ano.

Outro elemento revelador da actual situação socioeconómica da Argentina é o facto de 43% dos trabalhadores da área metropolitana acreditarem que é provável ou muito provável que percam o seu emprego nos próximos meses.

Quanto às responsabilidades por esta situação, um dado curioso é que, para 75% dos inquiridos, a culpa é de Mauricio Macri. A percentagem diz respeito, concretamente, à questão da insegurança económica; mas o Governo federal também não é poupado quando o quesito é o da insegurança laboral. Só na questão dos transportes é que o dedo é apontado ao governo provincial e ao da Cidade de Buenos Aires.

Desigualdade social

A edição brasileira do El País destacou, na terça-feira passada, o aumento da desigualdade social na Argentina, afirmando que «os argentinos mais ricos são mais ricos e os mais pobres são mais pobres». As estatísticas oficiais, reveladas pelo Instituto de Estatística e Censos (Indec), mostram que a desigualdade social tem vindo a crescer no país sul-americano desde o final do Governo de Cristina Kirchner, em 2014, e que se agudizou nos primeiro ano de governação de Macri.

Tendo por base os dados do Indec, o Diário Liberdade precisa que, em apenas três meses – do segundo para o terceiro trimestre de 2016 –, o rendimento dos 10% mais ricos passou de 23 vezes para 25,6 vezes o dos 10% mais pobres.

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