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A pobreza atinge em força a Argentina: 1 em cada 3 crianças passa fome

Um relatório recente mostra que um terço das crianças argentinas sofre de insegurança alimentar e tem dificuldade para aceder a água potável. A situação é mais grave na Grande Buenos Aires.

Em Buenos Aires, cerca de 200 mil pessoas manifestaram-se «contra a fome e o aumento dos preços», exigindo respostas urgentes da parte do governo de Macri
Em Fevereiro deste ano, 200 mil pessoas manifestaram-se em Buenos Aires «contra a fome e o aumento dos preços», exigindo respostas urgentes ao governo de Macri CréditosBernardino Avila / Página 12

De acordo com o estudo «Agua segura y alimentación, derechos pendientes de ser garantizados», realizado pelo Observatório da Dívida Social da Universidade Católica Argentina (UCA) para a Provedoria de Justiça [Defensoría del Pueblo] da província de Buenos Aires, a insegurança alimentar das crianças argentinas – mais na Grande Buenos Aires – sofreu um grande aumento entre 2017 e 2018.

O estudo precisa que os níveis de insegurança alimentar entre as crianças argentinas «sofreram um forte aumento» tanto na região metropolitana de Buenos Aires (onde atingiu os 35,8%) como em todo o país austral (29,3%) no último trimestre de 2018, «registando os valores mais elevados da série 2010-2018», segundo revela o portal perfil.com.

No que respeita à insegurança alimentar severa, o aumento também foi sensível, situando-se nos valores mais altos desde 2010: 17,4% na Grande Buenos Aires (GBA) e 13% em toda a Argentina.

Os dados do estudo relativos à ajuda alimentar directa e gratuita mostram que se registou um aumento da cobertura entre 2017 e 2018, sendo que esta é maior na GBA (40,3%) que no total nacional (34,9%). Os principais beneficiários desta ajuda alimentar, explica o documento, são as crianças que frequentam o primeiro ciclo de ensino, sendo que «o acesso aos alimentos é fortemente restringindo no caso das crianças não escolarizadas e dos adolescentes».

Outros elementos destacados pelo relatório são a dificuldade de acesso das crianças a água potável (afecta uma em cada três) e uma alimentação deficiente, sem os nutrientes indispensáveis ao seu desenvolvimento físico e cognitivo.

A situação é mais grave na GBA, sendo que crianças com dificuldade de acesso a alimentos vivem sobretudo em casas com situações de pobreza (79%), residem em bairros degradados (63%) e localizados principalmente na Região Ocidental da região urbana (44%), precisa o estudo, a que a Prensa Latina também teve acesso.

Aumento da pobreza na Argentina

Em meados de Julho, o Observatório da Dívida Social da UCA apresentou um relatório preliminar, de acordo com o qual se regista um aumento da pobreza no país austral e se estima que 35% da população se encontre «em condições de vulnerabilidade».

A recessão económica e o peso (moeda argentina) altamente desvalorizado, o acordo celebrado entre o governo de Macri e o Fundo Monetário Internacional – com os habituais «pedidos» de redução na despesa pública e de aprofundamento das políticas de austeridade –, os aumentos de preços nos serviços básicos, as subidas constantes dos preços da alimentação, os despedimentos, os encerramentos de inúmeras empresas, o elevado desemprego estão entre os factores que contribuíram para que a Argentina atinja, este ano, o número recorde de pessoas em situação de pobreza.

No final de Outubro, há eleições gerais na Argentina. Nas preliminares, realizadas este mês, os peronistas (na oposição) ganharam com grande avanço (cerca de 15%) sobre a coligação liderada por Mauricio Macri.

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