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Morena classifica visita de Ayuso ao México como «provocação deliberada»

A direcção nacional do partido Morena afirmou que as actividades da presidente da Comunidade de Madrid são uma «provocação deliberada» e uma «ingerência nos assuntos internos» do México.

«Provocação deliberada» e «ingerência nos assuntos internos», afirmou o Morena sobre as actividades da presidente da Comunidade de Madrid no México CréditosLuis Castillo / La Jornada

A visita «não é um gesto de amizade: é uma provocação deliberada envolta na linguagem da "liberdade"», referiu em comunicado o Movimento de Regeneração Nacional (Morena), sublinhando que a presença da espanhola Isabel Díaz Ayuso no país não visa estreitar laços de cooperação genuína.

«Vem reforçar o projecto da extrema-direita transnacional: essa rede articulada de actores políticos que trabalham de forma coordenada para tentar desestabilizar governos progressistas, minar a legitimidade democrática e exportar um modelo de ódio disfarçado de liberdade», afirma o texto, que foi divulgado nas redes sociais pela presidente do partido, Ariadna Montiel.

O documento aponta que Ayuso se reúne com sectores da oposição mexicana mais reaccionária, órgãos de comunicação ao serviço do bloco conservador e figuras que fizeram da mentira e da desinformação a sua principal ferramenta política.

«Isto não é diplomacia: é ingerência nos assuntos internos, uma prática que o México historicamente rejeitou», denuncia o texto, acrescentando que para o país é claro que a soberania é inegociável.

«Nenhuma figura exterior [...] tem autoridade moral ou política para vir dizer-nos como governar, que valores defender ou quem eleger. A autodeterminação dos povos não é um princípio retórico: é o cerne da nossa identidade enquanto nação», destaca o texto.

Acrescenta que o Morena não responde ao ódio com o ódio, mas sim «com clareza, com princípios e com a força de um projecto político que tirou milhões de famílias da pobreza, que colocou o povo em primeiro lugar, que reconstruiu o Estado como garante de direitos e dignidade».

Rejeição da agenda da extrema-direita transnacional

Ao referir que a extrema-direita não tolera que o «humanismo mexicano seja uma alternativa real face ao governo dos ricos», o documento destaca «a ideia de que o poder serve o povo, que ninguém está acima da lei e que a riqueza não pode ser privilégio de uns quantos».

«Estes valores são incompatíveis com a agenda de Ayuso, que em Madrid cortou na saúde pública, privatizou serviços, cultivou a xenofobia e transformou o ódio aos diferentes numa marca eleitoral», declara o texto divulgado esta terça-feira.

Ao refutar de forma categórica a agenda da extrema-direita transnacional que utiliza figuras como Ayuso para desestabilizar governos progressistas na América Latina, o Morena lançou um apelo à solidariedade dos movimentos populares de Espanha, da Europa e do mundo «contra este projecto de restauração conservadora».

O comunicado lembra ainda àqueles que chegam ao México trazendo a arrogância da extrema-direita espanhola que deveriam recordar que «este solo foi palco de um dos crimes mais atrozes da história universal», aludindo à conquista liderada por Hernán Cortés e as hostes castelhanas, que, entre 1519 e 1521, «desencadearam uma violência sistemática de extermínio, escravização, pilhagem e destruição cultural» sobre os povos originários.

A presidente da Comunidade de Madrid chegou ao México este sábado e deve permanecer no país norte-americano até 12 de Maio, refere La Jornada.

Esta terça-feira, proferiu uma palestra na Universidad de la Libertad, do empresário Ricardo Salinas Pliego, onde falou dos «males» e «tristezas» do socialismo e dos governos progressistas latino-americanos, tendo exortado governadores, autarcas e figuras da oposição no México, na Venezuela, em Cuba e na Nicarágua a assumir a «batalha pela liberdade» face ao «colectivismo».

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