|Argentina

Frente sindical argentina unida por salários, soberania e trabalho com direitos

No plenário realizado em Buenos Aires, mais de 1600 delegados aprovaram um programa com dez pontos, que inclui medidas políticas, sociais e económicas para enfrentar as políticas do governo de Milei.

Mais de 1600 delegados participaram no plenário da FreSu para afirmar a força dos trabalhadores Créditos / Resumen Latinoamericano

As 140 organizações que integram a Frente Sindical Unida (FreSu) juntaram-se neste Primeiro de Maio em plenário na capital argentina, com dirigentes sindicais de todo o país a debaterem, definirem e aprovarem um programa de acção.

«Face aos que clamam por reconciliação e diálogo, aos que procuram soluções parciais e individuais, ou que se propõem baixar a cabeça, aguentar e esperar por melhores tempos, apostando numa solução eleitoral, afirmamos que este é o momento exacto para lutar», declarou o primeiro plenário da FreSu, citado pelo Tiempo Argentino.

Central ao plenário foi a reivindicação do direito à greve como «instrumento essencial» de defesa dos direitos dos trabalhadores, que se viu fortemente restringido pela reforma laboral.

O programa aprovado foi elaborado com intenso debate, que envolveu a participação de todos os presentes, divididos em oito comissões, nas quais foram partilhadas experiências e se traçou uma proposta de dez pontos com diversas medidas.

Neles se incluem questões como defesa dos salários, distribuição da riqueza, trabalho com direitos, produção nacional e desenvolvimento, soberania e controlo de recursos estratégicos, saúde, educação e segurança social ou democracia e liberdade sindical, entre outras.

No texto aprovado declara-se: «Apelamos ao reforço da unidade, à expansão da FreSU, à multiplicação da organização nos locais de trabalho e à construção de um plano de acção sustentado. Reafirmamos o direito de protesto, de greve e de todas as formas legítimas de luta colectiva como ferramentas essenciais para a defender o povo trabalhador.»

«Reafirmamos uma convicção histórica: os sindicatos não são um obstáculo à superação da crise. São, pelo contrário, uma ferramenta para a defesa colectiva, a organização democrática e a transformação social», acrescentou.

Afirmar a força dos trabalhadores

«Este não foi mais um Dia do Trabalhador; este foi um Primeiro de Maio diferente. A luta do movimento sindical continua, mas hoje, com o desenvolvimento de um programa […], passamos à ofensiva — uma ofensiva que não cessará até que o programa que acabámos de elaborar, e que foi votado por mais de 1600 delegados de todos os sindicatos que compõem a FreSU, seja cumprido», declarou Rodolfo Aguiar, secretário-geral da Associação Trabalhadores do Estado (ATE).

Citado pelo Resumen Latinoamericano, o dirigente sindical acrescentou que «é preciso resgatar a consciência do verdadeiro valor do nosso trabalho e recusarmo-nos a ser explorados por menos do que a lei estipula».

«Estamos a iniciar um caminho para a recuperação salarial, e o conflito irá intensificar-se até que nos seja devolvido cada cêntimo que o governo de Milei roubou aos trabalhadores com as suas políticas», frisou Aguiar.

Tópico

Contribui para uma boa ideia

Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.

O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.

Contribui aqui