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Israel a matar palestinianos «como não o fazia desde 1967», afirma general

Um militar de topo israelita vangloriou-se do elevado número de palestinianos mortos na Cisjordânia ocupada e defendeu regras mais flexíveis, que passam por disparar contra palestinianos desarmados.

Soldado israelita em Nablus, em Abril de 2026 CréditosNasser Ishtayeh / Middle East Eye

O exército israelita está a matar palestinianos na Cisjordânia ocupada «como não matávamos desde 1967’, incluindo fogo real contra palestinianos que tentam ir para Israel à procura de trabalho e contra os que atiram pedras, revelou o jornal Haaretz este domingo.

O comandante supremo do exército israelita na Cisjordânia ocupada, major-general Avi Bluth, vangloriou-se destes factos recentemente, ao intervir num fórum fechado, onde também advogou regras mais flexíveis que permitam às tropas atirar contra palestinianos desarmados.

«Em três anos, matámos 1500 terroristas», disse Bluth, referindo-se aos palestinianos.

«Então, como é que não há uma intifada? Porque é que não estão a sair à rua? Porque é que o público palestiniano é indiferente? Porque é que não há distúrbios?», acrescentou.

«Os árabes entendem que "se alguém se levantar para te matar, mata-o primeiro" faz parte das regras do Médio Oriente e, por isso, estamos a matar como não matávamos desde 1967», declarou.

De acordo com o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (UNOCHA), as forças de ocupação mataram pelo menos 1081 palestinianos na Margem Ocidental e em Jerusalém ocupadas desde Outubro de 2023, incluindo 235 menores.

Bluth atribuiu o elevado número de mortes de palestinianos às ordens que deu, na medida em que tornaram mais fácil aos soldados israelitas abrir fogo contra civis. Neste contexto, afirmou que as tropas têm permissão para disparar, da altura do joelho para baixo, contra os palestinianos que tentam atravessar o muro de separação da Cisjordânia.

«Hoje, há muitos "memoriais improvisados" nas aldeias palestinianas em homenagem àqueles que tentaram infiltrar-se e foram atingidos, pelo que há um preço a pagar», disse Bluth, citado pelo Haaretz.

Tratamento favorável aos colonos

O general israelita admitiu que existe uma abordagem discriminatória favorável aos colonos judeus que atiram pedras às tropas israelitas, devido às «implicações sociológicas».

A política de «atirar a matar» que se aplica aos palestinianos que lançam pedras, classificados como terroristas pela ocupação, não se aplica aos colonos, embora «o perigo seja o mesmo».

Neste sentido, Bluth disse não apoiar que as tropas disparem contra os colonos judeus que atiram pedras e referiu-se a incidentes em que isso ocorreu por engano, lembrando «a confusão que isso gerou».

«Felizmente, os judeus não foram mortos», comentou Bluth, assumindo abertamente a discriminação e argumentando que, enquanto os palestinianos devem ser mortos, os judeus devem ser detidos.

Mais fundos para os colonos

Entretanto, a organização não governamental (ONG) israelita Peace Now denunciou este domingo que o executivo israelita atribuiu mais de 37,7 milhões de euros a grupos de colonos sob o pretexto de conter a sua violência.

«O governo usa todas as desculpas para justificar a atribuição de mais e mais milhões aos colonatos. Este é um programa para expandir os colonatos sob o pretexto de combater a violência», afirmou a Peace Now em comunicado.

«O governo está a direccionar uma parcela significativa dos fundos para os mesmos actores e actividades que actualmente servem como principais apoiantes dos postos avançados e das explorações agrícolas de onde a violência tem origem», acrescentou a ONG.

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