|Emirados Árabes Unidos

Emirados estão a deportar milhares de trabalhadores paquistaneses

Muitos xiitas paquistaneses foram visados pelas autoridades emiradenses, no contexto das detenções e dos despedimentos subsequentes à guerra contra o Irão, revela a New Lines Magazine.

CréditosKamran Jebreili / The Cradle

As autoridades dos Emirados Árabes Unidos (EAU) detiveram e deportaram cerca de 15 mil paquistaneses, muitos dos quais muçulmanos xiitas, sem acusações formais ou explicações claras, de acordo com depoimentos publicados pela New Lines Magazine a 29 de Abril.

As deportações apontadas ocorrem num momento de tensão nas relações entre os EAU e o Paquistão, na sequência da guerra imposta por EUA e Israel ao Irão e do crescente papel de mediação assumido pelo país sul-asiático.

Os relatos descrevem um padrão semelhante de detenções repentinas, confisco de telemóveis, transferências entre esquadras, detenção em Al-Awir e deportação rápida em voos para o Paquistão.

Sarah Ali contou à New Lines que o marido, Taha, foi detido a 12 de Abril durante um turno nocturno no Dubai, depois de a Polícia ter visto o seu nome e a sua fotografia num sistema policial.

«Ele ficou completamente em choque», disse Ali, acrescentando: «Mostraram-lhe a fotografia e perguntaram-lhe o que tinha feito. Depois disseram: "Lamentamos muito, mas não podemos deixar de confiscar o teu telemóvel, porque estão a monitorizar-nos."»

Ali disse que não foi formalizada qualquer acusação contra o seu marido, que foi deportado para Faisalabad menos de uma semana após a detenção.

Muitos dos que foram expulsos trabalhavam há décadas no país do Golfo, onde as remessas de migrantes continuam a ser uma fonte crucial de rendimento para as famílias e de divisas para o Paquistão.

Xiitas visados

Mohammad Amin Shaheedi, um clérigo xiita e chefe da Ummat-e-Wahida Pakistan, disse à New Lines que os EAU lançaram «o que parece ser uma campanha organizada para deportar indivíduos xiitas do país».

Shaheedi afirmou que cerca de 5000 famílias xiitas paquistanesas, abrangendo cerca de 15 mil pessoas, foram afectadas.

«Foram alegadamente deportadas com pouco mais do que a roupa do corpo, sem lhes ser dada a possibilidade de levantar os seus fundos dos bancos ou de regularizar as suas finanças», acrescentou.

Vários deportados alegaram que o rastreio de identidade pode ter sido utilizado, incluindo a leitura dos documentos de identidade dos Emirados em locais religiosos xiitas.

Outros referiram-se a condições de detenção severas, incluindo inspecções íntimas, alimentação deficiente, restricções e agressões físicas.

Ao ser contactado pela fonte sobre as deportações, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Paquistão, Tahir Andrabi, negou-as.

Situação deteriorou-se com guerra de agressão ao Irão

A sua situação deteriorou-se ainda mais durante a guerra dos EUA contra o Irão, quando muitos trabalhadores foram excluídos das medidas de evacuação de emergência e lhes foi negado o acesso a abrigos anti-bombas, refere The Cradle.

Motoristas de entregas, seguranças, operários e outros trabalhadores migrantes ficaram expostos durante os ataques, apesar de constituírem grande parte da força de trabalho dos Emirados.

As autoridades lançaram ainda uma campanha de repressão que envolveu a detenção de centenas de trabalhadores migrantes por causa de vídeos dos ataques publicados nas redes sociais ou por comentários que desafiavam as versões oficiais de segurança.

A pressão legal foi acompanhada de graves consequências económicas, com relatos de trabalhadores colocados em licença sem remuneração, despedidos sem indemnização ou forçados a pagar o seu próprio repatriamento.

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