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Governo faz vontade aos candidatos e tira TAP da alçada do Tribunal de Contas

Proposta de lei, que ainda precisa de aprovação da AR, coloca companhia área fora da alçada do Tribunal de Contas. Num cenário de privatização, TAP deixaria de estar sujeita a fiscalização e acompanhamento. 

CréditosPedro Santos / Agência Lusa

A notícia, que faz a manchete do Jornal de Negócios desta quarta-feira, parte do projecto de lei de alteração à Organização e Processo do Tribunal de Contas, aprovada este mês pelo Governo, mas que ainda terá de passar pelo crivo da Assembleia da República (AR), onde deu entrada esta terça-feira. 

Segundo o diploma, adianta o Eco, deixam de estar sujeitas à jurisdição e ao controlo financeiro do Tribunal de Contas (TdC) as empresas do sector público empresarial do Estado que operem em mercado de concorrência internacional, tenham um accionista privado maioritário ou «sendo o accionista privado minoritário, disponha, por força de acordo parassocial ou disposição estatutária, de direitos de gestão da empresa». Esta alteração, admite o online, «é considerada essencial pelos candidatos à privatização». Do ponto de vista do interesse para o País, coloca-se o risco de os dinheiros públicos deixarem de ser auditados ou fiscalizados. 

«Esta nova norma não surgia em versões iniciais da proposta de lei do Governo a que o Negócios teve acesso, tendo sido introduzida já numa fase final de elaboração do articulado entretanto enviado para o Parlamento e coincidindo no tempo com a decisão do Governo, a 24 de Abril, de convidar a Air France-KLM e a Lufthansa a apresentarem ofertas vinculativas pela posição minoritária na TAP, até ao fim de Julho», refere a notícia do económico.

Actualmente, a TAP está sujeita à fiscalização pelo TdC, tanto em termos de visto prévio para contratos de fornecimento de valor superior a 750 mil euros, como de auditorias realizadas a posteriori.

Em 2025, o Tribunal de Contas detectou que a TAP executou vários contratos sem visto prévio obrigatório, entre 2023 e 2024, violando a lei que rege a despesa pública, tendo remetido as conclusões para o Ministério Público. Esta terça-feira, 28 de Abril, foi tornado público que a companhia aérea adquiriu 51% da empresa de catering por 11,7 milhões em Abril de 2025. Nove meses depois, a participação foi colocada à venda por menos 2,1 milhões do que tinha pago, no âmbito do plano de reestruturação da TAP, imposto por Bruxelas. 

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