A eleição para o Conselho de Opinião da RTP foi adiada depois de terem sido levantadas dúvidas sobre a compatibilidade da presença de três deputados do Chega na lista de candidatos. Entre eles está Patrícia de Carvalho, cujo percurso profissional liga directamente o jornalismo à promoção de André Ventura, líder do partido.
Antes de ser eleita vogal da direcção do Chega, em Maio de 2021, e antes de se tornar deputada, Patrícia de Carvalho foi jornalista no Notícias ao Minuto. Foi lá que, durante meses, construiu uma cobertura intensa e favorável a André Ventura, como então denunciou a página Os truques da imprensa portuguesa.
Numa análise publicada em 2020, a página escreveu: «Ao longo dos últimos meses, pudemos acompanhar com surpresa o abundante caudal de notícias sobre André Ventura e a sua actividade política no site Notícias ao Minuto. Este conjunto que aqui exibimos corresponde apenas a uma ínfima parte. Mas a surpresa não havia de ficar por aqui. Todas estas notícias da secção “André Ventura”, mais de 100 só nos últimos meses, eram publicadas pela mesma jornalista, Patrícia Martins Carvalho, que adquiriu uma espécie de especialização em ‘André Ventura’».
Para os mesmos, «O Notícias ao Minuto tornou-se uma espécie de caixa de ressonância do programa do Chega, e chegou a fazer notícias como: "Primeiros alvos de Ventura no Parlamento serão violadores e pedófilos"».
Menos de um mês depois da última peça como jornalista, Patrícia Carvalho ingressou na equipa de Ventura na Assembleia da República. A transição directa do jornalismo para a assessoria política do mesmo líder que promovia foi então apontada como um exemplo claro da promiscuidade entre certos órgãos de comunicação social e o poder político.
Agora, em 2026, o nome de Patrícia de Carvalho volta ao centro da polémica, sendo um dos nomes indicados para o Conselho de Opinião da RTP, que a par de Bernardo Pessanha e Jorge Galveias está a ser alvo de contestação uma vez que os currículos que se fazem acompanhar da candidatura não mencionam as funções que exercem no jornal Folha Nacional, detido pelo Chega, conhecido por produzir desinformação.
Além destes elementos surge ainda o facto dos três nomes serem deputados, algo que pode colidir com o Estatuto dos Deputados e com a própria independência a que o Conselho de Opinião está estatutariamente obrigado. No caso de Patrícia de Carvalho, esta já suscitaria preocupações uma vez que enquanto jornalista produziu matéria de promoção de André Ventura, mas além deste facto, há o elemento do próprio Chega atacar a RTP constantemente, apelar à sua privatização e defender o fim da taxa de audiovisual que financia a estação pública.
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