«O PCP condena a tentativa de condicionamento do livre exercício do jornalismo, ocorrida na reunião do executivo municipal de Coimbra desta sexta-feira», salienta-se num comunicado emitido pela estrutura concelhia de Coimbra dos comunistas.
Este partido assinala que, «conforme foi noticiado», a presidente da Câmara Municipal de Coimbra, eleita pelo PS nas últimas eleições autárquicas, «dirigiu ao jornalista da agência Lusa uma acusação de falha deontológica grave a propósito do tratamento noticioso da situação da Casa do Cinema de Coimbra».
A notícia cita o coordenador do espaço, Tiago Santos, segundo o qual a Casa do Cinema de Coimbra está em risco de perder a sua licença por o município não avançar com o plano de reabilitação acordado, e acrescenta que a Lusa questionou o executivo municipal, mas não obteve qualquer resposta.
Para os comunistas, este episódio, da parte de Ana Abrunhosa, revela «traços de prepotência e dificuldade em lidar com a crítica, tanto mais que a própria presidente [da Câmara] confirma que não respondeu aos questionamentos do jornalista».
«O PCP considera que o respeito pelos trabalhadores da comunicação social é um dever básico dos detentores de cargos públicos, manifesta inteira solidariedade para com o jornalista visado e saúda a sua posição de defesa do livre exercício da profissão», lê-se no comunicado.
Os comunistas manifestam depois solidariedade «com a luta dos jornalistas contra a precariedade, os baixos salários e contra a deterioração das suas condições de trabalho que constituem também fatores que incrementam a grande pressão a que os jornalistas estão hoje submetidos nos mais diferentes órgãos de comunicação».
Na sexta-feira, na sequência deste episódio, a direcção de Informação da Agência Lusa escreveu uma carta à presidente da Câmara de Coimbra «repudiando acusações» que a autarca dirigiu ao jornalista João Gaspar, durante uma reunião pública do executivo camarário.
Numa nota depois emitida, a direcção de informação considera que as acusações feitas pela presidente da Câmara de Coimbra foram «descabidas, infundadas e difamatórias», tendo reiterado a sua confiança no jornalista João Gaspar, «cujo percurso de jornalismo na Lusa é irrepreensível».
Na mesma nota, a direcção de informação da agência acentua que João Gaspar se limitou a fazer uma notícia a propósito da Casa do Cinema de Coimbra, dando conta das preocupações do coordenador do espaço.
«Mais, procurou fazer o contraditório, pedindo esclarecimentos à Câmara. Só ao fim de nove dias publicou a noticia e mesmo assim só após ter instado pessoalmente a responsável pela comunicação daquele órgão», acrescenta-se na mesma nota.
Contribui para uma boa ideia
Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.
O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.
Contribui aqui
