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Vietname recordou massacre perpetrado por tropas norte-americanas

As cerimónias desta segunda-feira no Memorial de Son My, na região central do Vietname, honraram as 504 vítimas mortais do massacre cometido há 58 anos e ficaram marcadas pela defesa da paz.

Memorial de Son My, na província de Quang Ngai (Centro do Vietname) Créditos / Abril Abril

O acto comemorativo no Memorial de Son My, na comuna vietnamita de Tinh Khe, foi organizado pelo Departamento de Cultura, Desporto e Turismo da província de Quang Ngai e, segundo refere a Vietnam News Agency (VNA), serviu para transmitir uma mensagem de aspiração à paz, bem como para reafirmar a vontade de construir «um país cada vez mais próspero».

Na presença da responsável do departamento referido, Pham Thi Trung, do secretário do Comité Provincial do Partido Comunista do Vietname, Ho Van Nien, e de outras autoridades, centenas de participantes no evento fizeram um minuto de silêncio, além de oferecerem incenso e flores junto ao monumento que recorda o massacre.

Num ambiente solene, foi ainda tocada a peça musical «O violino de My Lai» em memória das 504 vítimas civis – mulheres, crianças, velhos e pessoas de meia idade –, cujos nomes estão perpetuados numa parede de mármore negro.

Massacre de Son My

O Massacre de Son My, também conhecido como Massacre de My Lai, foi perpetrado por tropas norte-americanas no dia 16 de Março de 1968, no âmbito da agressão que, directa e indirectamente, os EUA mantiveram contra o Vietname entre 1950 e 1975.

A matança iniciou-se pelas 5h30 e durou cerca de três a quatro horas, durante as quais os soldados sob o comando do tenente William Calley dispararam indiscriminadamente sobre a população, atiraram granadas para dentro das habitações, levaram a cabo fuzilamentos sumários e torturas, mataram com baionetas e violaram mulheres e raparigas.

A missão do pelotão comandado por Calley era atacar a Frente Nacional de Libertação do Vietname, tendo recebido ordens para «disparar contra tudo o que mexesse». Ainda queimaram 247 casas e os arrozais circundantes, e mataram milhares de reses e aves de criação.

Fotos de Haeberle, investigação de Hersh

O governo norte-americano tentou ocultar o massacre e este apenas foi conhecido em 1969, quando Ronald L. Haeberle, então fotógrafo do Exército, vendeu as fotografias do acontecimento a órgãos de comunicação social.

Sobre a matança, o repórter de investigação Seymour Hersh viria a revelar que «muitos foram isolados em pequenos grupos e abatidos. Outros foram atirados para as valas ou fossos e baleados, e muitos foram mortos ao acaso, perto de suas casas. Algumas das mulheres mais jovens e raparigas foram violadas».

Apesar da dimensão do crime e do modo como foi exposto, apenas Calley – que muitos classificaram como «bode expiatório» – viria a ser condenado (em 1971), pelo homicídio intencional de 22 civis. Condenado a prisão perpétua, viu a sentença reduzida para 20 e dez anos. Em 1974, foi indultado por Richard Nixon.

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