Os dados relativos a deslocados foram actualizados pela unidade de gestão de catástrofes do governo libanês, que deu conta do número total de pessoas que registaram os seus nomes num portal ligado ao Ministério dos Assuntos Sociais no espaço de uma semana, desde que as forças israelitas começaram a atacar o país.
Nesses dados, incluem-se 120 mil pessoas que se encontram alojadas em centros de abrigo governamentais, indicam diversas fontes.
Na terça-feira, a agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) alertou em comunicado para as graves consequências humanitárias do êxodo massivo da população no Sul do Líbano, onde o deslocamento «provocou medo e trauma emocional» tanto em crianças como em adultos, incluindo muitos idosos, que estão «em choque e com medo».
O texto também se refere às ordens de evacuação decretadas por Israel contra a zona meridional do Líbano, abrangendo mais de 53 aldeias numa região densamente povoada, e à intensificação dos ataques aéreos, que «obrigaram famílias de todo o Líbano a fugir numa questão de minutos».
Quando a Acnur emitiu o comunicado, havia cerca de 667 mil pessoas registadas na plataforma governamental online para deslocados devido ao conflito que também envolve o Hezbollah e que começou com a agressão militar israelo-norte-americana ao Irão, a 28 de Fevereiro último.
O organismo internacional disse que, além das que se encontram alojadas em centros colectivos, há muitas outras pessoas deslocadas que ficaram em casa de familiares ou amigos, ou que ainda estão à procura de abrigo.
De acordo com a Acnur, muitas destas pessoas já tiveram de fugir de suas casas em 2024, quando as forças israelitas e o Hezbollah entraram em confronto, num conflito breve mas intenso, que se seguiu a meses de provocações da parte israelita.
Neste contexto, a agência da ONU afirmou que, «a cada dia que este conflito se prolonga, mais sofrimento é infligido a centenas de milhares de civis, enquanto o Líbano e a região se tornam ainda mais instáveis».
«Os civis devem ser protegidos em todos os momentos», declarou, frisando ainda a necessidade de garantir o acesso seguro e sem entraves de ajuda humanitária a quem mais precisa.
Dados actualizados pelo Ministério libanês da Saúde esta quarta-feira referem-se a 570 mortos e 1444 feridos no país na sequência dos ataques israelitas. De acordo com o ministério, só na terça-feira foram mortas 84 pessoas e 131 ficaram feridas.
Contribui para uma boa ideia
Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.
O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.
Contribui aqui
