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Israel ataca civis, profissionais de saúde e jornalistas no Líbano

Trabalhadores do sector da saúde, bem como jornalistas têm sido alvo dos ataques israelitas no Líbano, onde autoridades e ONG contabilizam quase 1200 mortos e mais de um milhão de deslocados.

Em Beirute, realizou-se este sábado uma mobilização para condenar o assassinato dos jornalistas da Al Mayadeen e Al Manar CréditosAlkis Konstantinidis / Al Jazeera

Nove paramédicos perderam a vida, este sábado, em cinco ataques aos cuidados de saúde, informou o director-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, na sua conta de Twitter (X), sem nunca se referir a Israel.

Acrescentou que, com estes casos, sobe para 51 o número de profissionais de saúde mortos este mês, a que se juntam mais de 120 feridos, também na sequência da campanha de bombardeamentos israelitas ao país dos cedros, iniciada no passado dia 2, no contexto da agressão israelo-norte-americana ao Irão.

«Março foi o segundo mês más mortífero para os profissionais de saúde no Líbano desde que a OMS começou a monitorizar os ataques contra infra-estruturas de saúde no país, em Outubro de 2023», disse ainda Ghebreyesus.

Os repetidos ataques aos cuidados de saúde por parte de Israel «estão a perturbar severamente a prestação de serviços no Sul do Líbano», alertou, precisando que actualmente estão encerrados quatro hospitais e 51 centros de cuidados de saúde primários.

«Os profissionais de saúde estão protegidos pelo direito internacional humanitário e jamais devem ser alvo de ataques», salientou Ghebreyesus.

Israel mata mais jornalistas

Também este sábado, perderam a vida no Sul do Líbano três jornalistas, vítimas de um ataque israelita com drone contra o carro em que seguiam. Trata-se de Ali Sheaib, correspondente da Al Manar; Fatima Ftouni, correspondente da Al Mayadeen, e o seu irmão e fotojornalista, Mohammad Ftouni.

Ghassan Ben Jeddou, presidente do Conselho de Direcção do canal pan-árabe Al Mayadeen, lamentou a morte dos três jornalistas como resultado daquilo que classificou como uma «agressão traiçoeira» israelita.

Numa mensagem emocionada e de luto, o responsável considerou a ocupação israelita inteiramente responsável pelo assassinato dos jornalistas, sublinhando que se trata de um «crime de guerra» e uma «violação flagrante do direito internacional e das normas jornalísticas».

Por seu lado, o presidente libanês, Joseph Aoun, condenou de forma enérgica o assassinato da equipa de imprensa, referindo-se ao facto como «um crime flagrante que viola todas as normas e tratados que garantem aos jornalistas protecção internacional nos conflitos armados», refere a TeleSur.

Já o ministro libanês da Saúde, Rakan Nasser al-Din, denunciou a dimensão das perdas sofridas no sector da saúde em resultado dos ataques israelitas, precisando que 18 equipas de ambulâncias foram visadas directamente, e acusou Israel de atacar de forma sistemática os meios de comunicação e os seus trabalhadores.

Mais de um milhão de deslocados

De acordo com dados divulgados por agências da ONU na sexta-feira, 20% da população do país foi obrigada a deixar as suas casas na sequência da escalada militar israelita contra o Líbano.

Marcoluigi Corsi, representante no país do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), disse que, em média, 19 mil crianças são deslocadas diariamente, muitas delas pela segunda, terceira ou até quarta vez.

Em apenas três semanas, mais de 370 mil crianças foram obrigadas a abandonar as suas casas, afirmou, referindo-se a um contexto marcado pela escalada de ataques israelitas e por ordens de evacuação decretadas.

Desde o início da ofensiva israelita contra o Sul do Líbano, a que a resistência libanesa tem estado a fazer frente, pelo menos 1189 pessoas foram mortas e 3427 ficaram feridas, revelou o Ministério libanês da Saúde.

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