A primeira reunião de negociação colectiva em 2026, realizada na passada quarta-feira, foi palco da apresentação de uma proposta por parte da administração da RTP que se traduz numa «redução salarial e um ataque a direitos conquistados», denunciam, em comunicado conjunto a que o AbrilAbril teve acesso, dez sindicatos que representam trabalhadores da Rádio e Televisão Pública.
No encontro, Nicolau Santos, presidente da RTP, terá recorrido a uma famosa frase de John Kennedy para instar os sindicatos a serem mais generosos com os objectivos da administração: «Está na altura de os sindicatos deixarem de perguntar o que a RTP pode fazer por eles, mas perguntarem o que os sindicatos podem fazer pela RTP». Neste caso, exortando as estruturas representativas dos trabalhadores a aceitarem um acordo que rejeitam «liminarmente».
A administração da RTP acena com um aumento salarial de cinco euros mensais para tornar mais palatável o fim da «comparticipação da empresa para o Seguro de Complemento de Reforma (cerca de 3% do vencimento)»; elimina o subsídio de deslocação e aumenta em três euros a comparticipação do trabalhador para o plano Médis, sem melhoria de serviços (e 66 euros por cada familiar).
A soma das medidas propostas evidencia o engano neste «falso aumento» –na prática,« a maioria dos trabalhadores perde rendimento líquido, com impacto anual que se traduz em milhões de euros retirados aos salários». Os sindicatos acrescentam ainda que a administração «propôs um aumento de 52€ para o nível 1 de desenvolvimento onde não existe quaisquer trabalhadores da RTP».
A Administração terá afirmado que o objectivo destas propostas não passa por «diminuir os custos com pessoal», mas «olhar para os custos da Empresa». Os sindicatos reafirmam que «os custos da empresa não podem ser suportados pelos trabalhadores» e ancoram-se no «Operário em Construção» de Vinicius de Moraes: «E foi assim que o operário/Do edifício em construção/Que sempre dizia que sim/Começou a dizer que não».
Ainda sem data marcada, os sindicatos estão a organizar um plenário geral dos trabalhadores da RTP para definir as medidas de resposta à administração.
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