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Archion: Estado português assume salários enquanto empresa está em «transição»

O lay-off vai abranger todo o mês de Julho na Mitsubishi Fuso Truck, em Abrantes. Centenas vão perder uma parte do seu salário enquanto o Estado acaba a pagar o «preço de decisões estratégicas de grandes grupos económicos».

Operários trabalham na nova linha de montagem do camião eléctrico Mitsubishi Ecanter, no Tramagal, concelho de Abrantes. Foto de arquivo
CréditosTiago Petinga / Agência Lusa

Mitsubishi Fuso Truck and Bus Corporation (MFTBC; a Mitsubishi Motors apenas mantém uma pequena fatia desta empresa, controlada agora pela Daimler Trucks) integra, desde 1 de Abril de 2026, o grupo Archion, em fusão com a Hino Motors (do grupo Toyota). A fábrica Mitsubishi Fuso Truck em Abrantes vai começar a sentir os efeitos da integração neste conglomerado empresarial já no próximo mês de Julho, com a instituição de um lay-off em todo o mês.

Durante esse período (a que se segue a habitual paragem de produção em Agosto) o Estado português vai suportar cerca de 84% dos custos salariais de mais de 400 trabalhadores, financiando diretamente 70% dos seus salários, que ficam reduzidos a dois terços. Neste processo, o Estado abdica igualmente dos 23,75% pagos pela empresa através da Taxa Social Única (TSU).

Em resposta à agência Lusa, a MFTBC justifica a decisão de empurrar centenas de trabalhadores para esta posição precária com a necessidade de ajustar o seu planeamento operacional «em consonância com a transição do modelo europeu de encomendas e distribuição». O ajustamento inclui um plano de rescisões amigáveis (cerca de 40 trabalhadores) e o despedimento de todos os trabalhadores com contratos temporários, alerta o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Centro-Sul (SITE CSRA/CGTP-IN).

O PCP deverá interpelar o Governo sobre a situação vivida nesta fábrica, segundo nota de imprensa da comissão concelhia do PCP, a que o AbrilAbril teve acesso. Enquanto os rendimentos dos trabalhadores «são cortados», as despesas com «habitação, alimentação e energia continuam a aumentar, colocando ainda mais pressão sobre quem vive do seu trabalho» – anunciar um lay-off neste momento constitui «um ataque inaceitável às suas condições de vida», consideram os comunistas.

Acabam por ser os trabalhadores e o Estado «a pagar o preço de decisões estratégicas de grandes grupos económicos que, acumulando milhões de lucros todos os anos para distribuir pelos seus acionistas, procuram transferir os custos das suas opções para quem trabalha e para o Estado Português».

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