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Em Montevideu, apelo a criar uma nova civilização face à barbárie neoliberal

A grande contradição entre civilização e barbárie está de volta, afirmou o escritor e historiador cubano Ernesto Limia, que está a dar uma série de palestras no Uruguai.

Ernesto Limia durante a palestra que proferiu em Montevideu Créditos / FEUU - Uruguay

No Auditório da Universidade da República (Udelar), o intelectual cubano dissertou esta terça-feira à noite numa palestra intitulada «Desafios Culturais Contemporâneos», um evento organizado pelo Comité Anti-Imperialista Uruguaio de Solidariedade com Cuba e os Povos do Mundo.

Limia defendeu a construção de uma nova civilização em defesa da espiritualidade e das raízes num momento de ofensiva neoliberal acompanhada pelo fascismo, refere a Prensa Latina.

Na conferência também promovida pela Federação de Estudantes Universitários do Uruguai (FEUU), o historiador salientou que o neoliberalismo «quer que sejamos idiotas» porque temem «os nossos argumentos» e que «os povos pensem».

Dizem-nos o que comer, que roupa vestir, que música ouvir, e usam os telemóveis e as redes sociais como meio de colonização cultural, alertou.

«Os metadados são utilizados para construir cenários e comportamentos», denunciou, referindo-se a um processo em que os centros de poder chegam a utilizar a neurociência.

A guerra cognitiva visa trazer à tona o pior da humanidade, destacou, perante um auditório em que havia estudantes, trabalhadores e intelectuais, e que contou com a presença do secretário-geral do Partido Comunista do Uruguai, Óscar Andrade, e da embaixadora cubana no país sul-americano, Lissett Pérez.

O orador enfatizou o papel da história e da cultura como antídotos nesta guerra cultural em que «o fascismo é implacável», refere a fonte.

É preciso recuperar o compromisso social dos mais vulneráveis, afirmou, e evocou o pensamento de Fidel Castro sobre a necessidade de «semear ideias».

Limia respondeu a perguntas do auditório, tendo afirmado que «a solidariedade com Cuba é um acto de rebeldia e resistência».

Disse ainda que o seu país se está a preparar para o pior cenário, o de uma intervenção militar dos Estados Unidos, cujo governo procura a todo o custo a rendição do povo cubano.

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