Foi no início do mês, depois de ter sido acusado de inacção, que o Governo anunciou que o novo layoff para trabalhadores afectados pela tempestade Kristin seria a 100% para que aufere salários até 2760 euros. A questão é que na passada semana foi revelado que o Executivo deu o dito por não dito e afinal, o tal layoff, irá cobrir apenas dois terços do salário, com parte a ser suportado pela Segurança Social.
Desta forma, PCP, BE e Livre requereram a apreciação parlamentar do regime de layoff simplificado aprovado pelo Governo e subscrevem a iniciativa, que deu entrada no Parlamento nesta quarta-feira, que propõe que o salário dos trabalhadores abrangidos seja pago a 100%.
Através de uma apreciação parlamentar, mecanismo regimental que permite aos partidos trazer ao hemiciclo decretos do Governo, os partidos à esquerda do PS procurarão, assim, alterar ou revogar o regime que remete a aplicação das as regras previstas no Código do Trabalho, que asseguram apenas dois terços do salário bruto.
Quem não alinha com o layoff a 100% é o PS que, não se juntando à restante esquerda. Em conferência de imprensa, na sede nacional do PS, em Lisboa, José Luís Carneiro afirmou que o Governo PSD/CDS-PP «está a falhar na resposta às populações», mas nesta questão do layoff o PS pede um programa complementar ao layoff simplificado, complexificando a questão.
Apesar de dificultar a questão, a verdade é que em cima da mesa estão opções que podem evitar a perda de rendimentos por parte dos trabalhadores, algo que, naturalmente, terá a luz vermelha por parte das bancadas parlamentares do PSD, CDS-PP e Iniciativa Liberal.
Ao Executivo de Luís Montenegro cabe-lhe esperar pela decisão do Chega, partido que faz barulho por tudo e por nada, mas sobre os rendimentos dos trabalhadores e a questão da mentira do Governo relativamente ao layoff ainda nada disse.
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