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Ao sabor da tempestade, Amadora, Odivelas e Sintra promovem demolições e despejos

É um padrão, alerta o Vida Justa. No dia 27, a autarquia da Amadora foi à Quinta da Lage demolir a casa de uma família. A 28, Sintra avançou com despejos. A 29, 2 adultos e 3 crianças foram despejadas pela Câmara de Odivelas.

CréditosAntónio Pedro Santos / Agência Lusa

Ao romper do dia, na manhã de dia 27 de Janeiro, por entre a chuva e o frio, a Câmara Municipal da Amadora (CMA; de maioria PS) entrou no bairro da Quinta da Lage (perto da Falagueira) com uma escolta da PSP e da Polícia Municipal com um único objectivo, afirma o movimento Vida Justa: «realizar a demolição bárbara do que chamam “construção” mas que, na verdade, se trata de um lar».

Horas antes do impacto da tempestade Ingrid, uma família, composta por «três adultos, uma criança de três anos e um cão», testemunhou a «demolição» da sua habitação e a «destruição» de muitos dos seus pertences. «Um dos membros desta família tem problemas graves de saúde e requer cuidados especiais para respirar», salienta o Vida Justa. Ao que o AbrilAbril conseguiu apurar, esta família e a autarquia estavam em conversações para encontrar uma solução, após terem recusado a primeira proposta de realojamento feita pela CMA. A meio deste processo, foi demolida a casa.

Na Quinta da Lage vivem «mais de uma dezena de famílias em risco de ficarem sem tecto» por não aceitarem as «condições impostas» pela autarquia. Estes moradores queixam-se de «uma postura autoritária e desumana» por parte da Câmara Municipal da Amadora. Um exemplo referido pelo Vida Justa é o caso de «uma pessoa de 55 anos, com problemas graves de saúde», a quem terá sido proposta uma casa «num 5.º andar cujo elevador do prédio não funciona há mais de 6 anos».

Há vários anos que a CMA estabeleceu a «erradicação» da Quinta da Lage como uma das suas prioridades na política de habitação municipal. O movimento considera, no entanto, que a maioria PS na autarquia «não leva em conta os direitos e interesses dos moradores que, também neste caso, defendem a permanência na sua comunidade ou o realojamento em conjunto, para manter as relações de comunidade construídas ao longo de quase cinquenta anos de convivência, entreajuda e vizinhança».

Na manhã de dia 28, depois da Ingrid e pouco antes da Kristin, a Câmara Municipal de Sintra promoveu mais um despejo no Bairro 1.º de Maio

É um processo que se arrasta há mais de um ano. Desde 2024, ainda no anterior mandato do PS, a Câmara Municipal de Sintra (CMS) tem levado a cabo vários despejos no Bairro 1.º de Maio, em Monte Abraão. Desta feita, a autarquia (PSD/IL), auxiliada pela PSP e a Polícia Municipal, executou o despejo de uma família que «ficou sem casa, sem que lhe tenha sido dada qualquer alternativa», às 9h30, acusa o Vida Justa.

Um homem e o seu filho foram «deixados sem tecto, sem alternativa, sem explicações». O Bairro 1º de Maio tem sido «alvo de uma constante perseguição política da Câmara de Sintra», uma prática que prevalece em muitos dos municípios da Área Metropolitana de Lisboa. O movimento Vida Justa «solidariza-se com a luta do Bairro 1º de Maio e com a luta de todos os bairros contra os despejos».

Três crianças com «doenças crónicas» entre os despejados pela Câmara Municipal de Odivelas na Arroja

«Sem nunca conhecer os motivos concretos», uma família de cinco pessoas – uma avó, a sua filha e três crianças com «doenças crónicas» – foi despejada no dia 29 de Janeiro pela Câmara Municipal de Odivelas. O Vida Justa acusa a autarquia, de maioria PS, de ter ameaçado avançar com este despejo desde 2020, sem «nunca ter aceitado reunir com a família».

Segundo nota divulgada pelo movimento, «a família tinha as rendas e as contas em dia». Neste momento, as crianças e os seus encarregados de educação estão alojadas «em dois quartos numa pensão em Lisboa», enquanto os serviços sociais da Câmara estarão a exigir «que seja a própria família a encontrar uma solução até sexta-feira, dia 30 de Janeiro».

O Vida Justa acusa ainda a autarquia de ameaçar accionar a CPCJ «para retirar as crianças à mãe, que agora ficou sem casa».

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