Num dia em que mataram 11 pessoas na Faixa de Gaza, as forças sionistas de ocupação levaram a cabo um ataque directo contra a viatura em que seguiam os jornalistas Abdul Raouf Shaath, Mohammad Salah Qeshta e Anas Ghunaim, em al-Zahraa, na região central do enclave.
Em comunicado, divulgado no seu portal, o Sindicato dos Jornalistas Palestinianos (SJP) condenou o «assassinato deliberado» dos três trabalhadores da imprensa, numa altura em que «documentavam e retratavam o sofrimento dos civis nos campos de deslocados».
«Atacar jornalistas enquanto desempenham as suas funções profissionais faz parte de uma política adoptada pela ocupação israelita para silenciar a voz palestiniana, obstruir a comunicação de factos e ocultar os crimes cometidos contra civis na Faixa de Gaza», denuncia o texto.
O SJP afirma que «o ataque directo à viatura dos jornalistas constitui um crime de guerra e um crime contra a humanidade ao abrigo do direito internacional humanitário», bem como «uma violação flagrante das convenções de Genebra e das resoluções das Nações Unidas que asseguram a protecção dos jornalistas durante os conflitos armados».
Responsabilizando inteiramente a ocupação por este crime, o sindicato refere que a impunidade de que Israel goza há muito lhe deu alento para prosseguir os ataques aos jornalistas, fazendo da agressão iniciada em 2023 uma das «guerras mais sangrentas contra o jornalismo na história moderna».
Neste contexto, a estrutura exorta os organismos internacionais competentes a tomar medidas concretas que vão para lá das declarações de condenação e a trabalhar no sentido de assegurar a protecção imediata aos jornalistas palestinianos.
Múltiplas condenações
O assassinato dos três jornalistas enquanto filmavam um campo de refugiados no Centro da Faixa de Gaza mereceu ampla condenação de partidos, facções, sindicatos e organizações não governamentais na Palestina.
Ao classificarem a ocorrência como um crime de guerra, várias vozes destacaram as violações sistemáticas ao cessar-fogo por parte da ocupação, bem como a mensagem que o executivo israelita está a passar no terreno, de oposição à trégua.
A agência France Presse (AFP) também se posicionou, esta quinta-feira, tendo exigido uma «investigação transparente» dos factos, uma vez que Abdul Raouf Shaath trabalhava há quase dois anos como fotógrafo freelancer para a agência.
O assassinato dos três trabalhadores da imprensa foi divulgado logo na quarta-feira pela Wafa, que deu conta de pelo menos 11 palestinianos mortos em diferentes ataques israelitas no enclave só nesse dia.
Fontes hospitalares confirmaram que seis pessoas, incluindo um menor de idade, foram mortas no campo de refugiados de Bureij, em dois ataques da ocupação.
Outras duas foram mortas pelas tropas israelitas nas imediações de Khan Younis (Sul do território) – uma mulher no campo de al-Mawasi e um rapaz de 13 anos em Bani Suheila, quando apanhava lenha.
Desde Outubro de 2023, os ataques das forças israelitas provocaram a morte de pelo menos 71 562 palestinianos e deixaram feridos outros 171 379, refere a Wafa.
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