As forças de ocupação sionistas cometeram «violações sérias e sistemáticas» ao acordo de cessar-fogo que entrou em vigor a 10 de Outubro último, denunciou em comunicado, esta segunda-feira, o gabinete de imprensa do governo na Faixa de Faza.
Para o organismo, trata-se de uma «violação flagrante do direito internacional humanitário e do protocolo humanitário associado ao cessar-fogo», indica a Al Mayadeen.
O texto revela que foram documentadas mais de 1300 violações desde que a trégua entrou em vigor, em que se incluem 430 incidentes com disparos de armas de fogo, 66 incursões de veículos militares em bairros residenciais, 604 casos de bombardeamentos e ataques directos, e 200 demolições de casas e outros edifícios.
O gabinete informou que, em resultado destas violações, 483 pessoas foram mortas – 252 das quais eram menores de idade, idosos e mulheres – e destacou que 465 dos falecidos (96%) foram atingidos longe da chamada «linha amarela» (a «fronteira» que Israel controla no interior da Faixa de Gaza).
No mesmo período, o organismo registou 1287 palestinianos feridos em ataques da ocupação – 752 dos quais eram menores, idosos e mulheres –, sublinhando que todos os casos ocorreram no interior de «zonas habitadas e longe da "linha amarela"».
Além disso, refere o texto, 50 palestinianos foram detidos – também longe da divisão que separa a zona da Faixa de Gaza inteiramente controlada por Israel da que fica mais a ocidente (onde se acumula a população palestiniana).
Obstáculos colocados à entrada de ajuda
No que respeita ao acesso à ajuda humanitária, o gabinete explicou que apenas entraram no enclave 43% dos camiões previstos no acordo, ou seja, 25 816 de um total de 60 mil.
O documento precisa que entraram no território 15 163 camiões com ajuda, 10 004 camiões comerciais e 649 com combustível. A média diária de viaturas ficou-se pelas 261, quando, nos termos do acordo, tinham de ter entrado 600 por dia.
Esta obstrução gerou uma grave escassez de comida, medicamentos, água potável e combustível, agravando as condições humanitárias em que a população vive e pelas quais o organismo responsabilizou inteiramente a ocupação.
As contínuas violações representam uma tentativa perigosa de contornar o cessar-fogo e impor «uma política de subjugação, fome e coerção», denunciou o gabinete, instando os patrocinadores do acordo, os mediadores, os garantes e as Nações Unidas a assegurarem o pleno cumprimento do acordo, a protecção dos civis e o fluxo imediato e seguro de ajuda humanitária, combustível e materiais para abrigo na Faixa de Gaza.
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