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Médico palestiniano alerta para a situação crítica da saúde em Gaza

Muhammad Abu Salmiya, director do complexo hospitalar al-Shifa, destacou que a situação sanitária na Faixa de Gaza não apresenta melhorias, apesar da diminuição dos bombardeamentos.

Campo de abrigos e tendas para deslocados na Cidade de Gaza, a 30 de Dezembro de 2025 Créditos / PressTV

Em declarações à Al Jazeera na terça-feira, o responsável explicou que, apesar da diminuição dos feridos por bombardeamentos – no contexto da trégua que Israel viola repetidamente –, os hospitais enfrentam uma fase extremamente crítica, devido ao aumento de pacientes e à grave escassez de medicamentos.

Sobre o aumento significativo de doenças, Muhammad Abu Salmiya referiu que isso se fica a dever à propagação de um vírus de gripe, sobretudo entre crianças com menos de um ano, idosos e grávidas – o que colocou as urgências hospitalares sob uma pressão sem precedentes.

O director disse ainda que, actualmente, os hospitais no enclave estão a funcionar com uma ocupação superior a 150%, «no meio de uma grave escassez de medicamentos e de material médico».

A este propósito, revelou que a falta de medicamentos essenciais ultrapassa os 55% e a de materiais médicos descartáveis ronda os 70%.

Frisando que a actual crise no sector é uma das piores que a Faixa de Gaza vive desde o início da guerra de extermínio, em Outubro de 2023, o médico disse que em várias especialidades a falta de medicamentos e materiais é total, o que afecta a prestação dos cuidados necessários, inclusive em casos de emergência.

Como exemplo, apontou a elevada escassez de medicamentos para responder às necessidades dos pacientes com cancro ou que precisam de diálise – o que ameaça as suas vidas.

Além disso, sublinhou, dezenas de milhares de cirurgias ortopédicas, torácicas e vasculares que estavam programadas tiveram de ser canceladas, uma vez que Israel impede a entrada no território dos materiais necessários.

No que respeita a evacuações médicas, Abu Salmiya explicou que mais de 20 mil pacientes completaram os procedimentos para viajar e receber tratamento no estrangeiro, sem que Israel os deixe sair. Entretanto, denunciou, cerca de 1200 faleceram à espera da autorização.

Os médicos na Faixa de Gaza têm afirmado repetidamente que estão a lutar para salvar vidas, enquanto Israel continua a restringir a entrada de material médico essencial.

Quase todos os hospitais e instalações de saúde de Gaza foram atacados durante a guerra de agressão genocida, tendo sido danificadas pelo menos 125 unidades de saúde, incluindo 34 hospitais, segundo as autoridades de saúde.

Já no final de Dezembro do ano passado o Ministério da Saúde em Gaza tinha alertado para a grave escassez de medicamentos e material médico, sublinhando que a crise está a comprometer a capacidade do território para prestar cuidados de emergência e vitais.

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