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Sindicato dos Jornalistas admite apoiar jornalista contra secretário de Estado

O secretário de Estado João Galamba usou a sua conta do Twitter para atacar um jornalista português que está em zona de guerra, que reportou um ataque da artilharia ucraniana à cidade de Donetsk, da qual resultou a morte de um civil.

Bruno Amaral de Carvalho no terreno de guerra. 
Bruno Amaral de Carvalho no terreno de guerra. CréditosDR / DR

O titular da secretaria de Estado do Ambiente e Acção Climática ridicularizou a morte de um civil numa zona separatista: «Segundo este jornalista, os ucranianos estão a ser muito maus, quiçá péssimos». Acrescentando depois: «Correcção: "jornalista"».

Bruno Amaral de Carvalho, que tem coberto o conflito no campo de batalha na zona de acção das tropas russas, tem publicado as suas reportagens no site da CNN Portugal. O jornalista tem dado voz às várias vítimas do conflito, tanto em resultado da acção das tropas russas como das ucranianas. O jornalista respondeu na mesma rede social: «Um membro do governo português que celebra publicamente um ataque que vitimou mortalmente um civil e que atingiu uma escola, um prédio de habitação e uma drogaria. E ainda troça do jornalista porque teve o descaramento de cobrir tal "insignificância"».

O AbrilAbril perguntou ao Sindicato dos Jornalistas se iria comentar a tomada de posição do governante, dado estar a contribuir para pôr em causa a segurança desse jornalista em terreno de guerra:

«No dia 1 de Maio, o secretário de Estado do Ambiente e Acção Ambiental, João Galamba, a propósito de uma notícia sobre um bombardeamento na cidade de Donetsk criticou a notícia, insinuando que seria fantasiosa, e veio depois a colocar aspas na palavra jornalista, referindo-se ao jornalista e sócio do sindicato Bruno Amaral de Carvalho, que tem feito a cobertura noticiosa para a CNN Portugal, junto à zona de guerra, naturalmente em condições difíceis.

«A dupla insinuação do governante que o jornalista seria contra os ucranianos e que não era profissional é extremamente grave, podendo pôr em causa a segurança, já precária do jornalista português no meio da guerra.»

«Desejávamos saber se o sindicato já tomou posição, ou pretende fazê-lo, sobre esta intervenção do governante acerca do trabalho de um camarada de profissão e pondo objectivamente em causa a sua segurança.»

A direcção do Sindicato dos Jornalistas (SJ), embora não tomando posição pública sobre o comentário do governante, escudando-se que não o costuma fazer em relação a tomadas de posição nas redes sociais, recordou a sua disponibilidade para auxiliar o jornalista Bruno Amaral de Carvalho se este decidir processar João Galamba:

«A Direcção do SJ tem como regra não reagir ao que todos os dias vai circulando nas redes sociais, mas está sempre na primeira linha de defesa dos seus associados, pelo que não deixaremos de prestar todo o auxílio necessário ao jornalista em causa no momento em que decida recorrer ao apoio jurídico a que tem direito como associado.»

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