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A segurança nas escolas e instituições de ensino: uma responsabilidade partilhada

O desafio não reside na falta de normas, mas na capacidade de integrar estes instrumentos numa política coerente, transversal e permanente de resiliência da comunidade educativa. Esta integração exige visão estratégica, liderança institucional e compromisso político.

Uma agente da Protecção Civil de Santo Tirso dinamiza um jogo pedagógico com os alunos da escola de São Martinho. Santo Tirso, 24 de Fevereiro de 2026 

Créditos Estela Silva / Agência Lusa

Com a aproximação de um novo ano letivo, torna se indispensável refletir sobre a segurança nas escolas e instituições de ensino superior.

Estas organizações acolhem diariamente milhares de crianças, jovens e adultos, constituindo espaços centrais de aprendizagem, socialização e construção da cidadania. A diversidade de atividades, a heterogeneidade dos edifícios e a inserção territorial determinam a exposição a um amplo conjunto de riscos que ultrapassa largamente a tradicional preocupação com incêndios.

As escolas estão expostas a incêndios, sismos, inundações, fenómenos meteorológicos extremos, acidentes laboratoriais, riscos tecnológicos, falhas de energia, emergências médicas, violência, ameaças externas, problemas de acessibilidade e riscos digitais e cibernéticos.

A segurança escolar não pode, por isso, ser entendida apenas como um conjunto de requisitos técnicos ou como a existência formal de planos. Uma instituição segura resulta da articulação entre pessoas preparadas, edifícios adequados, organização interna, procedimentos claros, formação contínua, comunicação eficaz e capacidade de decisão. Um estabelecimento pode cumprir os requisitos técnicos de segurança e continuar vulnerável se professores, trabalhadores e alunos não souberem como agir perante uma emergência. A segurança é, antes de tudo, uma capacidade organizacional que se constrói na prevenção, na preparação, na resposta e na aprendizagem.

Portugal dispõe de instrumentos legais e pedagógicos relevantes: medidas de autoproteção, exercícios obrigatórios, enquadramento da segurança escolar, legislação de segurança e saúde no trabalho, espaço curricular para a educação para o risco e normas específicas para o ensino superior. O desafio não reside na falta de normas, mas na capacidade de integrar estes instrumentos numa política coerente, transversal e permanente de resiliência da comunidade educativa. Esta integração exige visão estratégica, liderança institucional e compromisso político.

A educação para o risco é um dos pilares dessa política. Deve acompanhar a maturidade dos alunos, evoluindo de forma progressiva: na educação pré escolar, reconhecer perigos, pedir ajuda e interpretar sinais básicos; no primeiro ciclo, identificar riscos e adotar comportamentos elementares perante incêndios, sismos ou acidentes; nos ciclos seguintes, compreender risco e vulnerabilidade, conhecer os riscos do território, participar em exercícios e adquirir competências básicas de primeiros socorros; no ensino secundário, aprofundar a prevenção, a autoproteção e a organização da proteção civil; no ensino superior, assumir uma dimensão de cidadania, responsabilidade e conhecimento dos riscos específicos do campus. Esta formação contribui para criar uma cultura de segurança e resiliência que ultrapassa a escola e acompanhará os alunos ao longo da vida.

«Os professores devem dominar procedimentos de alerta, evacuação, confinamento, pontos de encontro, primeiros socorros e resposta a diferentes emergências, assumindo também um papel pedagógico na construção da cultura preventiva dos alunos. Assistentes operacionais, pela sua presença constante e conhecimento profundo dos espaços, constituem frequentemente a primeira linha de resposta.»

A preparação dos profissionais é igualmente determinante. Os professores devem dominar procedimentos de alerta, evacuação, confinamento, pontos de encontro, primeiros socorros e resposta a diferentes emergências, assumindo também um papel pedagógico na construção da cultura preventiva dos alunos. Assistentes operacionais, pela sua presença constante e conhecimento profundo dos espaços, constituem frequentemente a primeira linha de resposta. A sua formação deve permitir iniciar uma resposta segura até à chegada dos meios especializados, sem os transformar em agentes de socorro, mas garantindo que são parte ativa da proteção da comunidade escolar.

A segurança deve ser inclusiva. Sistemas de alerta, percursos de evacuação, procedimentos e equipamentos devem considerar as necessidades de pessoas com limitações de mobilidade, sensoriais ou cognitivas. Uma solução adequada para uns pode ser inadequada para outros. A acessibilidade, a autonomia e a assistência devem integrar o planeamento da segurança, garantindo que ninguém fica excluído dos mecanismos de proteção.

Cada escola deve conhecer os riscos específicos do seu território, dos seus edifícios, das suas atividades e da população que acolhe. Esta consciência territorial é essencial para definir prioridades, ajustar procedimentos e articular com entidades externas.

Os exercícios e simulacros são ferramentas fundamentais para transformar planos em capacidade real. Não devem ser encarados como formalidades administrativas, mas como momentos de teste, aprendizagem e melhoria contínua. Devem abranger diferentes cenários – incêndios, sismos, confinamento, falhas de energia, intrusão, acidentes laboratoriais, incidentes cibernéticos, emergências complexas – e ser seguidos de avaliação rigorosa, definição de medidas de melhoria e novo teste.

A segurança escolar exige também uma ligação permanente ao território. A escola, em situações de emergência, depende da articulação com municípios, Serviços Municipais de Proteção Civil, bombeiros, forças de segurança, serviços de saúde e outras entidades. Esta articulação deve ser preparada antes da emergência, através de exercícios conjuntos, formação, partilha de informação e conhecimento dos acessos, pontos de reunião e procedimentos de evacuação. A escola pode, deste modo, transformar se num núcleo local de cultura de segurança, envolvendo famílias, associações de estudantes e organizações da comunidade.

Mais do que proteger a comunidade escolar perante os riscos existentes, trata-se de formar cidadãos capazes de compreender o risco, agir com responsabilidade e contribuir para comunidades mais seguras e resilientes.

O autor escreve ao abrigo do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90)

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