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|Segurança Social

O aviso está dado: Governo quer mesmo atacar a Segurança Social

Apesar de Leitão Amaro ter afastado uma reforma estrutural da Segurança Social nesta legislatura, na Universidade de Verão da JSD, Luís Montenegro vincou um possível «entendimento nacional» antes das próximas eleições quanto a alterações profundas.

Créditos Paulo Novais / Agência Lusa

No passado dia 20 de Agosto, o ministro da presidência, Leitão Amaro, Leitão Amaro assegurou ainda que, «se alguma vez» a reflexão do Governo resultar em decisões sobre a Segurança Social, tal será «previamente apresentado num contexto de campanha eleitoral».

As declarações de Leitão Amaro procuravam conter as críticas ao relatório encomendado pelo Governo sobre a sustentabilidade da Segurança Social, intitulado Por um Sistema Sustentável, Adequado e Justo – um Contrato entre Gerações, e elaborado por Jorge Bravo e Carla Castro, pessoas cujo perfil é conhecido pela defesa da privatização deste.

A verdade é que a opinião pública não tardou a criticar as intenções do Governo, percebendo que o que estava a ser colocado em cima da mesa era a destruição de um direito constitucional e, desse modo, Leitão Amaro procurou colocar alguma água na fervura. A polémica podia ter desaparecido, não fosse a vontade do Executivo em oferecer os milhões da Segurança Social aos fundos especulativos.

Neste sentido, ignorando as palavras de Leitão Amaro, Luís Montenegro abordou a questão na Universidade de Verão da JSD e deu motivos aos que estavam preocupados com as intenções do Governo. Se o ministro da presidência afastou uma reforma para a actual legislatura, o primeiro-ministro quis desmenti-lo.

O chefe do Executivo revelou, então, que «se algum dia propuser essa transformação estrutural, será na base de um compromisso» assumido com o povo português antes das próximas eleições. «O meu desejo era que nós pudéssemos ter um entendimento nacional para que, independentemente da força política que ganhasse as eleições, todos se comprometessem a executar a transformação estrutural que dá sustentabilidade a este sistema», afirmou.

Ou seja, o Governo, na linha daquilo que tem sido uma narrativa criada, alega que está só a abrir um debate e, no seguimento disso, começa a preparar o caminho para a privatização da Segurança Social. Recorde-se que, de forma nada inocente, o relatório alega que existe um buraco na Segurança Social, num cálculo enviesado para lançar o alarmismo.

O relatório funde e confunde o sistema previdencial (contributivo), o regime da Caixa Geral de Aposentações (CGA) e o sistema de protecção social de cidadania (não contributivo) para, num exercício contabilístico, dar a entender que as reformas estão em perigo.

 

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