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|África

Falta de profissionais e de financiamento, constrangimentos à saúde em África

A escassez de pessoal e de recursos é o principal obstáculo que os sistemas de saúde enfrentam no continente, alertou a Federação de Associações de Estudantes de Medicina de África (Famsa).

África saúde medicina
Yusuf Auual Yehia, presidente da Federação de Associações de Estudantes de Medicina de África (Famsa) Créditos / ena.et

Numa entrevista à Ethiopian News Agency (ENA), esta quarta-feira, o presidente da Famsa, Yusuf Auual Yehia, abordou os desafios que os sistemas de saúde africanos enfrentam e apontou a escassez de profissionais de saúde como um dos principais constrangimentos.

Outro «desafio significativo», afirmou, é o financiamento do sector, sobretudo para os países que dependem em grande medida do apoio externo para financiar os serviços de saúde.

Yehia explicou que as mudanças no panorama internacional reduziram a disponibilidade de financiamento externo, o que exerce uma pressão adicional sobre os sistemas de saúde em todo o continente.

Disse ainda que a migração de trabalhadores do sector é uma preocupação importante, uma vez que muitos estão a ir para a Europa e a América do Norte em busca de melhores condições e oportunidades de trabalho.

Para fazer frente a estes desafios, defendeu que os países africanos devem reforçar a sua capacidade de criar «sistemas de saúde sustentáveis», investindo mais em recursos humanos, financiamento interno e produção local.

Neste sentido, destacou a importância de expandir a produção de vacinas, medicamentos e produtos farmacêuticos em África, afirmando que a produção local poderia reforçar a «segurança sanitária» do continente e a «confiança pública» nos produtos de saúde produzidos localmente.

Desenvolver a produção local

Referiu que algumas comunidades africanas continuam a enfrentar desafios na aceitação de vacinas importadas, acrescentando que o desenvolvimento da capacidade de produção local desses fármacos poderá ajudar a aumentar a confiança nos produtos de saúde produzidos no continente.

A produção local, disse, também geraria benefícios económicos para além do sector da saúde, reduzindo os custos de importação, as taxas alfandegárias, os impostos e outras despesas associadas à importação de medicamentos, vacinas e outros produtos de saúde.

O presidente da Famsa sublinhou que o reforço da produção nacional permitiria aos países africanos reduzir a sua dependência de fontes externas no que respeita a «produtos sanitários estratégicos» e poderá criar oportunidades de emprego para os jovens, aumentar os rendimentos e contribuir para o crescimento económico em todo o continente.

A cooperação entre os países africanos e a troca de conhecimentos especializados poderão apoiar ainda mais os esforços para fortalecer as capacidades de saúde e industriais, e fazer um melhor uso dos recursos humanos do continente, declarou.

Em seu entender, o futuro dos cuidados de saúde em África está estreitamente ligado à capacidade do continente para investir nas suas pessoas, expandir a produção local e reforçar a cooperação entre os países africanos.

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