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Montemor-o-Novo recebe o Grande Sertão: Veredas pelos seus 70 anos

A celebração do 70.º aniversário da obra monumental de João Guimarães Rosa vai ser assinalada a 7 de Setembro na cidade alentejana. As comemorações passam também por Lisboa e Loulé, até 11 de Setembro.

«Rebulir com o Sertão, como dono? Mas o sertão era para, aos poucos, se ir obedecendo a êle; não era para à fôrça se compor. Todos que malmontam no sertão só alcançam de reger em rédea por uns trechos; que sorrateiro o sertão vai virando tigre debaixo da sela». Grande Sertão: Veredas narra as aventuras dos jagunços Riobaldo e Diadorim (e o seu amor, platónico ou não), dos grandes comandante do cangaço Joca Ramiro e Zé Bebebelo, crónicas de faca e clavinote.

Mas, sobretudo, a obra do poliglota brasileiro João Guimarães (publicada em 1956) é a história do Sertão nordestino. Escondido atrás da riqueza do litoral do Nordeste, das terras de massapé e pau-brasil, das pequenas metrópoles dos coronéis e das suas roças de cacau e cana, está o Sertão, uma das zonas mais secas e áridas de toda a América do Sul. «Terra de tanta pobreza», como a descreveu Zeca Afonso.

Nessas largas extensões de caatinga e de um céu azul limpo «que tonteia», prosperaram os bandidos do cangaço, heróis populares de uma vida fustigada pela fome, pela sede e pela exploração. O Sertão é uma entidade em si mesma, uma espécie de deus antigo lovecraftiano, que suscita manifestações místicas e religiosas como a Pedra Bonita e os Canudos.

«Isto aqui é uma terra terrível, seu doutor… Eu mesmo… O senhor me vê mansinho desse jeito, mas eu fui batizado com água quente», alerta Riobaldo, o narrador do Grande Sertão: Veredas. A obra de Guimarães Rosa é um momento maior da literatura sertaneja, mas não é única. Sobre este espaço trabalharam grandes autores como Vargas Llosa, Jorge Amado, José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, Euclydes da Cunha, João Cabral de Melo Neto e Ariano Suassuna.

70 anos de Grande Sertão em Lisboa, Loulé e Montemor-o-Novo

A iniciativa, que conta com a organização de entidades como a Fundação José Saramago, a Universidade do Algarve ou autarquias de Loulé e Montemor-o-Novo, traz a Portugal Dôra Guimarães e Tiago Goulart, do Museu Casa Guimarães Rosa, em Cordisburgo, e Diomira Faria, professora na Universidade Federal de Minas Gerais e curadora da exposição “Sertão Mundo”, «para uma partilha do universo de Guimarães Rosa, através da narração oral e da reflexão em torno do território e da obra roseana».

Em Montemor-o-Novo, o 70.º aniversário é assinalado no dia 7 de Setembro, pelas 18h, na Biblioteca Municipal, onde «leitores, investigadores e promotores da obra de Guimarães Rosa vão celebrar» esta que é uma das mais importantes obras literárias da língua portuguesa. 

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