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Por que é preciso «poupar» para a reforma?

As baixas reformas levam mais de metade dos portugueses a querer «poupar» para a aposentação, ainda que não tenham condições financeiras para o fazer devido aos baixos salários.

Depois de uma década a perder poder de compra, cerca de 85% das pensões do regime geral da Segurança Social tiveram aumentos reais em 2017
Depois de uma década a perder poder de compra, cerca de 85% das pensões do regime geral da Segurança Social tiveram aumentos reais em 2017CréditosAntónio Cotrim / Agência LUSA

Mais de metade dos portugueses (53%) não têm capacidade de «poupar para a reforma», de acordo com o estudo da Insurance Europe, que sinaliza que Portugal está acima da média europeia entre os que não o fazem.

Segundo os resultados do estudo europeu de pensões da Insurance Europe, ontem divulgado, os portugueses são os que têm mais interesse em poupar para a reforma, mas não dispõem de capacidade financeira.

Embora os trabalhadores já descontem ao longo da sua vida activa para a reforma através das contribuições para a Segurança Social, esta necessidade de fazer uma «poupança» é explicada pelos baixos valores das pensões de reforma.

Para além disso, Portugal é um dos países que tem a idade legal de acesso à pensão indexada à esperança média de vida. Aumentando a idade de saída da vida activa, tendo em conta a subida da esperança média de vida, desconsidera-se o direito à velhice e o facto de a generalidade dos trabalhadores passar mais de três ou quatro décadas a trabalhar, com o predomínio dos baixos salários.

Antes do surto epidémico de Covid-19, segundo o INE, um milhão e 770 mil portugueses – 10,8% (525 mil) dos trabalhadores com emprego e 47,5% dos desempregados – estavam no limiar da pobreza. Entre 2009 e 2018, a percentagem que o salário mínimo representa do ganho médio dos trabalhadores portugueses aumentou de 43,2% para 49,7%, o que significa que há um número crescente de trabalhadores com um ganho mensal cada vez mais próximo do salário mínimo nacional (SMN), o que só é explicado pelas suas baixas remunerações.

Daí, o sublinhar da necessidade de lutar por salários dignos, considerando que, entre outros aspectos, estes repercutem-se nas reformas. Aliás, também por isso é importante a discussão, que está na ordem do dia, em torno da exigência e da necessidade do aumento do SMN.

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