Assinalam-se os 52 anos da Revolução de Abril. Em todo o país o povo sairá à rua, irão realizar-se eventos populares para celebrar o dia que acabou com a longa noite fascista e trouxe o brilho da liberdade. Se o povo, independentemente das suas opções, vê no dia 25 de Abril o momento de assinalar a grandiosa conquista da democracia, Luís Montenegro parece não ter a mesma vontade.
A questão é que no ano passado também não tinha. A pretexto da morte do Papa Francisco, o primeiro-ministro adiou a tradicional celebração no Palácio de São Bento, a residência oficial, e realizou-a no 1.º de Maio. O evento em questão nada teve a ver com o dia do trabalhador ou o dia da liberdade. Luís Montenegro convidou Tony Carreira para dar um concerto e intitulou o momento como «São Bento em Família».
Este ano, Montenegro vai voltar a abrir os jardins da sua residência oficial ao público, mas escolheu um programa temático dedicado ao teatro português, ignorando novamente o dia da Revolução. A ideia, segundo o próprio, é valorizar o teatro como expressão da criatividade, do pensamento crítico e da identidade colectiva, porém as críticas multiplicam-se.
O momento mais simbólico será um almoço privado com o actor Ruy de Carvalho, de 99 anos, em homenagem à sua carreira. Já durante a tarde, os jardins recebem actuações de escolas de teatro, incluindo peças e medleys da Broadway, com a participação de grupos de várias localidades.
Desta forma, o Governo que extinguiu Ministério da Cultura e fundiu-o à Juventude e Desporto, para além de perpetuar o subfinanciamento do sector cultural, decidiu evitar promover celebrações oficiais do 25 de Abril e usou o teatro como justificação.
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