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Ministro da Defesa demitiu-se do Governo

O ministro da Defesa, Azeredo Lopes, demitiu-se hoje do Governo, depois de se saber que o seu gabinete foi informado de que a recuperação das armas roubadas de Tancos foi encenada.

O ministro da Defesa, Azeredo Lopes, na cerimónia de despedida do grupo de 108 militares do Regimento de Artilharia N.º 4, da Brigada de Reacção Rápida, que partiram para a Lituânia para integrar a força Light Artillery Battery/Assurance Measures 2016, bateria disponibilizada para a NATO. 29 de Junho de 2016.
O ministro da Defesa, Azeredo Lopes, na cerimónia de despedida do grupo de 108 militares do Regimento de Artilharia N.º 4, da Brigada de Reacção Rápida, que partiram para a Lituânia para integrar a força Light Artillery Battery/Assurance Measures 2016, bateria disponibilizada para a NATO. 29 de Junho de 2016. CréditosMário Cruz / Agência Lusa

«Não podia, e digo-o de forma sentida, deixar que, no que de mim dependesse, as Forças Armadas fossem desgastadas pelo ataque político ao ministro que as tutela», referiu Azeredo Lopes, na carta enviada ao primeiro-ministro e a que a Lusa teve acesso. O Presidente da República, que é também o Comandante Supremo das Forças Armadas, já aceitou a exoneração e, em comunicado, disse esperar a indicação do seu sucessor por António Costa.

O ministro cessante voltou a negar que tenha tido conhecimento, «directo ou indirecto, sobre uma operação em que o encobrimento se terá destinado a proteger o, ou um dos, autores do furto». O seu antigo chefe de gabinete de Azeredo Lopes, o tenente-general Martins Pereira, reconheceu esta semana ter recebido um memorando da Polícia Judiciária Militar sobre a operação que, no entanto, só entregou na passada quarta-feira às autoridades judicias civis que investigam o caso.

Azeredo Lopes não tinha qualquer ligação à Defesa até ingressar no Governo, em Novembro de 2015. Foi presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social entre 2006 e 2011 e chefe de gabinete do presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, desde a sua eleição, em 2013, à sua tomada de posse como ministro.

Tal como noutras Negócios Estrangeiros, a Defesa foi das áreas em que o comprometimento do actual Executivo do PS com as orientações da União Europeia e, no caso, também com os interesses da NATO, foi mais evidente.

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