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Luta contra «Museu Salazar» vai continuar

Presidente da Câmara de Santa Comba Dão afirma que a obra não está parada e que vai ser concretizada. URAP admite que a autarquia sempre teve a intenção de criar um projecto para homenagear o ditador. 

Créditos / vozdooperario.pt

O presidente da Câmara Municipal de Santa Comba Dão admitiu num comunicado divulgado no passado dia 13 que a criação do Centro de Interpretação do Estado Novo, a funcionar na antiga Escola Cantina Salazar, no Vimieiro, «é para continuar». Leonel Gouveia (PS) afirmava então que «a obra não está parada» e que «é para ser concretizada», acrescentando que um dos dos espaços interiores do edifício está praticamente concluído.

A informação surgiu após o Centro de Estudos e Interdisciplinares do Século XX (CEIS20), da Universidade de Coimbra, abandonar o projecto da Rede de Centros de Interpretação de História e Memória Política da Primeira República e do Estado Novo, constituído por mais cinco museus ou centros interpretativos distribuídos por Penacova, Carregal do Sal, Tondela e Seia, locais ligados a figuras da I República e à ditadura. 

O CEIS20, que era o parceiro na área científica da rede, dinamizada pela Associação de Desenvolvimento Local (ADICES), com sede em Santa Comba Dão, invocou para a sua saída a desistência de duas autarquias e diferendos com outras.

Segundo um historiador do centro de estudos, citado pela União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP), foi a postura das autarquias que levou ao afastamento do CEIS, nomeadamente a de Santa Comba Dão, que «teve dificuldade em perceber a disciplina necessária» para não cair em tentações, como o acolhimento de uma estátua em bronze e um busto de pedra de Salazar, que passaram para a guarda da autarquia em 2017.

Perante a postura do Município, a URAP conclui que a Câmara de Santa Comba Dão «sempre quis criar na terra natal de Salazar um museu para homenagear o ditador». Admite que para o conseguir, depois de gorada a primeira tentativa, «devido ao clamor que se levantou entre os democratas, que não esquecem os 48 anos de fascismo em Portugal e todas as suas consequências», Leonel Gouveia «abrigou-se sob o guarda-chuva da Rede de Centros de Interpretação de História e Memória Política da Primeira República e do Estado Novo».

O autarca afirma que será encontrado outro parceiro na área científica e acrescenta que o projecto é «considerado relevante e de interesse estratégico para o desenvolvimento da região, quer do ponto de vista turístico, mas também histórico». 

A URAP reage a estas declarações, através de comunicado, admitindo que «urge agora mobilizar novamente os democratas e antifascistas, realizar mais e diferentes iniciativas para impedir que seja criado um espaço», independentemente da designação que se lhe atribua, na terra onde nasceu o ditador. Uma vez que, refere, «não será mais do que um local onde os saudosistas e os actuais defensores do fascismo, que insistem em por aí proliferar, possam encontrar-se, conspirar e organizar-se contra os valores de Abril».

Acrescenta que os historiadores e «todos quantos queiram pesquisar a vida de Salazar» têm à sua disposição centros de estudos onde a investigação, apoiada em centenas de documentos, pode e deve ser feita, como são os casos do Museu do Aljube, do Forte de Peniche, da Rua do Heroísmo e de Angra do Heroísmo ou, ainda, em Cabo Verde, o Tarrafal.

No âmbito da já longa luta travada para impedir o projecto, a União de Resistentes lembra que mais de 240 ex-presos políticos, muitos democratas e antifascistas e também a URAP «não cruzaram os braços e uniram-se para denunciar em abaixo-assinados com milhares de assinaturas, e uma petição junto da Assembleia da República, já apresentada em plenário, a tentativa renovada da Câmara de Santa Comba Dão de homenagear Salazar e o regime fascista».

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