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Há militares a mais?

António Costa afirmou que Portugal tem hoje menos peso em equipamento do que devia e «mais peso em recursos humanos do que aquilo que é o compromisso com a NATO».

CréditosManuel Araújo / Agência Lusa

O primeiro-ministro anunciou que os Estados-membros da NATO, incluindo Portugal, comprometeram-se a avançar com propostas de reforço dos seus investimentos, na área da Defesa e das Forças Armadas, até à cimeira da Aliança Atlântica que se realizará em Junho.

Neste domínio, António Costa chamou a atenção para os dois desafios que Portugal tem pela frente, por um lado, aumentar o seu orçamento global em defesa e, por outro, o peso do investimento em equipamento, com o objectivo de melhorar as capacidades das Forças Armadas.

O primeiro-ministro, sublinhou ainda que Portugal tem hoje menos peso em equipamento do que devia e «mais peso em recursos humanos do que aquilo que é o compromisso com a NATO». São declarações que reiteram o que, de assinalável, sucessivos governos têm feito, reduzir efectivos. Aliás, este compromisso parece ser a única preocupação do Governo com os homens e mulheres que servem nas Forças Armadas. Quanto ao resto, nomeadamente vencimentos, carreiras e saúde, impera o silêncio.

Os militares e as associações profissionais que os representam bem podem reclamar de estarem «sem aumentos há mais de dez anos, sem promoções a tempo e horas, sem retroactivos pagos à data da promoção, sem respeito pelo desempenho funcional» que, pelos vistos, vão continuar a ser sancionados.

É verdade que o pretexto da guerra tem, com certeza, as costas muito largas, mas não consegue tapar a realidade: ninguém quer saber das pessoas, querem, sim, saber dos negócios e dos chorudos lucros que enchem os bolsos dos oligarcas ocidentais do complexo militar-industrial, e não só.  

A afirmação do primeiro-ministro, de que os recursos humanos militares têm mais peso do que aquilo que é o compromisso do nosso País com a NATO, torna mais evidente a razão pela qual o Ministério da Defesa tem torturado o número de efectivos militares, procurando fazer crer que eles têm aumentado quando, na realidade, têm diminuído ao longo dos anos e estagnado nos dois últimos. Isto é, a aparente preocupação que, nos últimos anos, os ministros da Defesa Nacional têm manifestado face à escassez de jovens a pretender ingressar na carreira militar e à incapacidade de retenção das Forças Armadas, não passa disso mesmo, de uma preocupação aparente. Daí, a não resolução deste problema e, pelo contrário, o seu progressivo agravamento.

Por esclarecer, fica a questão de como vai o Governo resolver o problema de excesso de peso de meios humanos nas Forças Armadas, isto é, as despesas com os militares: manter o congelamento dos vencimentos, protelar ainda mais as promoções ou reduzir o número de generais?

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