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Frente Anti-Racista: homenagear as vítimas do racismo no Dia de Portugal

No dia 10 de Junho assinala-se mais um ano volvido sobre o assassinato racista de Alcindo Monteiro. Às 11h, na Rua Garrett, em Lisboa, serão recordadas todas as vítimas do racismo em Portugal.

CréditosTiago Petinga / Lusa

«O racismo – enquanto relação de poder – é reproduzido todos os dias como forma e processo de dominação, opressão e violência sistemática em todos os ambientes: no trabalho, no café, num restaurante ou loja e nas instituições», alerta a Frente Anti-Racista (FAR), organização que lançou a convocatória para a acção no dia 10 de Junho.

Várias associações e movimentos, de vários quadrantes de intervenção social em Portugal, já subscreveram, até ao momento, a convocatória da FAR: a Associação Cultural Moinho da Juventude; o grupo Baque do Tejo; o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC); o Operário Futebol Clube Lisboa; a Interjovem - CGTP-IN; a Casa do Brasil de Lisboa e o Colectivo MUMIA Abu-Jamal, são apenas alguns exemplos dos movimentos que estarão presentes no acto.

Unidos, os subscritores, e todos os que a eles se juntarem, pretendem «homenagear e recordar», neste 10 de Junho de 2022, «todos os que foram vítimas de racismo em Portugal, como Giovani Rodrigues, Bruno Candé e Wilson Neto». A manifestação terá lugar às 11h na Rua Garrett, em Lisboa, local onde, há 27 anos, assassinaram Alcindo Monteiro.

Dia da Raça

A escolha do Dia de Portugal não foi casuística. A data foi acolhida pelo regime fascista e colonialista de Salazar para assinalar o «Dia da Raça», monento de exaltação das façanhas «dos portugueses» ao longo da «sua» história. O fascismo fez uso destas comemorações para reescrever a história do país, apagando, por exemplo, os muitos crimes cometidos, ao longo de décadas, nas colónias.

Esse lastro é ainda visível no Portugal de hoje: em 2008, o então Presidente da República Cavaco Silva referiu-se ao dia, publicamente, com a designação que lhe foi atribuída pelo fascismo. Não deixou de salientar, aos jornalistas, que, no dia 10 de Junho, o seu papel era o de «sublinhar, acima de tudo, a raça».

As relações do 10 de Junho com expressões racistas e nacionalistas não ficam por aí. Foi no dia 10 de Junho de 1995 que Alcindo Monteiro foi brutalmente assassinado por um grupo de nazi-fascistas que comemorava a data. «Neste trágico dia, o grupo fez mais de 10 vítimas, todas elas pessoas negras que estavam a andar na rua e foram atacadas. A FAR esteve presente na ocasião, a apoiar os familiares e na luta por justiça».

O Dia de Portugal é, também, «dia de relembrar Alcindo Monteiro», afirma a FAR. A Frente Anti-Racista foi criada em 1994 com o objectivo de «contribuir para a resolução dos inúmeros problemas surgidos no seio da sociedade portuguesa relacionados com o Racismo e a Xenofobia», «denunciando todas as formas de exclusão e exploração a que os imigrantes continuam sujeitos em Portugal».

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