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Falta de material levou à paragem de 1789 comboios no ano passado

As linhas do Oeste, Alentejo e Algarve são as mais afectadas pelo desinvestimento, que se traduz em avarias e atrasos de manutenção, e onde a média de comboios parados é de cinco por dia.  

Oficina da Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário, detida a 100% pela CP
Oficina da Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário, detida a 100% pela CPCréditos

Segundo a notícia avançada hoje pelo Público, é na Linha do Oeste que se registam mais avarias, tendo-se verificado a paragem de 1313 comboios entre 2017 e 2018, seguindo-se a do Algarve com 873 comboios parados e a do Alentejo com 225. 

Lê-se no diário que «a maior parte das vezes em que a empresa deixou os passageiros em terra foi por causa de avarias ou devido à impossibilidade da EMEF de fazer a manutenção das automotoras por falta de pessoal, acabando estas por ficar imobilizadas nas oficinas».

O fenómeno teve natural correspondência com a quebra no número de passageiros, registando-se menos 426 mil passageiros nas três linhas, entre 2016 e 2018, com a consequente redução das receitas.

Em resposta a perguntas colocadas pelo jornal, a CP argumentou que «procura disponibilizar transbordo rodoviário como alternativa», assumindo que «o tempo gasto no percurso por estradas nacionais não compensa face ao horário da viagem seguinte no mesmo percurso».

Nenhuma aplicação faz a manutenção dos comboios

À falta de investimento no material circulante e na manutenção junta-se a falta de pessoal na EMEF e na CP. Numa audição no Parlamento, no início deste mês,  Catarina Cardoso, representante da Comissão de Trabalhadores da CP, denunciou que a capacidade da EMEF «desceu abaixo dos mil trabalhadores». E, além de a autorização para contratar ter «chegado tarde, sublinha que o salário oferecido é inferior ao que se pratica actualmente na categoria de operário especializado em metalomecânica no sector privado. 

«Não há nenhuma aplicação que se descarregue no Google Play para fazer a manutenção dos comboios», sublinhando que «tem que ser feita por pessoas contratadas para o efeito». 

Os problemas estendem-se às pessoas que há na CP para garantirem a oferta. «Fechamos bilheteiras para que esses trabalhadores possam ir acompanhar comboios», disse Catarina Cardoso, acrescentando que esta «desumanização» leva a que algumas pessoas se inibam de andar de comboio. 

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