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Custos do Novo Banco pagavam mais de 30 anos de aumentos nas pensões

O ministro das Finanças anunciou o aumento extraordinário de dez euros nas pensões, a partir de Janeiro, como um «custo». Transferências para o Novo Banco suportavam este valor por mais de 30 anos. 

Créditos / RTP

O ministro de Estado e das Finanças, João Leão, disse hoje no Parlamento que o aumento extraordinário das pensões negociado com o PCP, no valor de dez euros, a decorrer já em Janeiro, vai custar 270 milhões de euros.

«Em 2021, pela primeira vez nos últimos anos, o aumento será de dez euros para todas as pensões até 1,5 IAS [Indexante de Apoios Sociais]», afirmou João Leão, sublinhando que esta será a medida com «maior impacto» na despesa do Orçamento para 2021. 

O aumento abrange quase dois milhões de pensionistas com pensões até 685 euros e foi reproduzido na imprensa como um «custo».

Mas se se analisar, por exemplo, a factura do Novo Banco, que, juntando resolução e garantias da privatização, já cobrou aos portugueses perto de nove mil milhões de euros, apesar de não estar ao serviço da economia nacional, o termo soa exagerado.

Não obstante outros estudos que se poderiam realizar, nomeadamente quanto a um maior aumento das pensões, uma leitura rápida dos números permite concluir que o dinheiro entregue até agora ao Novo Banco (para o ano há mais) permitia pagar este aumento extraordinário durante mais de 30 anos.

Recorde-se que a actualização das pensões foi retomada em 2016, após a derrota da coligação PSD/CDS-PP nas eleições de Outubro de 2015 e o seu afastamento do governo.

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