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CNA: o aumento dos preços tem a sua origem em «manobras especulativas»

«Os processos de liberalização e privatização de sectores estratégicos para o país, ao invés do que foi apregoado, nada contribuíram para reduzir preços», lamenta a CNA. Custos não pararam de aumentar.

Uma marcha lenta de tractores percorreu mais de 20 km, entre Ovar e Estarreja, em 23 de Agosto de 2016. Foto de arquivo.
Uma marcha lenta de tractores percorreu mais de 20 km, entre Ovar e Estarreja, em 23 de Agosto de 2016. Foto de arquivo.Créditos

«Os custos dos factores de produção não param de aumentar impulsionados por um forte carácter especulativo, a que acresce o continuado esmagamento dos preços pagos à produção, mormente pela grande distribuição, situação que exige a adopção de medidas urgentes e eficazes, sob pena de virmos a assistir ao encerramento de mais explorações agrícolas», avisa, em comunicado, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA).

«A subida dos preços da electricidade e dos combustíveis aumentam as despesas de produção e transformação das explorações agrícolas, de transporte de bens e também das deslocações da população para aquisição de alimentos», mas nem só destes aumentos se explica o aumento dos preços.

É que «independentemente da carga fiscal existente, estes aumentos têm na sua origem manobras especulativas com o preço das matérias-primas e com as margens de comercialização (e transformação)», denuncia a CNA.

«Impõem-se medidas para combater a especulação», como por exemplo, «através da regulação dos preços dos combustíveis e da electricidade, da fiscalização dos mecanismos de formação dos preços, designadamente dos factores de produção», e pôr a PARCA a funcionr para «avaliar os preços pagos à produção, não permitindo que se pague aos produtores abaixo dos custos de produção, de modo a salvaguardá-los, e à população em geral, da voracidade de lucro dos grandes grupos económicos destes sectores».

Em período de seca, Governo PS é completamente inoperante

Mais de 94% dos País está, em Janeiro de 2022, em situação de seca, sem qualquer perspectiva de chuva, o que aumenta significativamente «os encargos nas explorações, com necessidades de rega e com a diminuição de pastagens que obriga a recorrer a rações, também cada vez mais caras», ponde seriamente em causa a soberania alimentar de Portugal.

Face a esta situação gravíssima, inédita nesta altura do ano, provocada pelas alterações climáticas, é forçoso que o Governo aja de «modo preventivo e, sem demoras, ponha em funcionamento a Comissão Permanente da Seca», que, infelizmente, só tenderá a agrava-se nos próximos anos.

No entender da CNA, ao contrário daquilo que o Governo tem feito, «importa corrigir erros, como os que colocam a água financiada pelo investimento público ao serviço de grandes extensões de monoculturas super-intensivas, ao invés de canalizar esse investimento para a produção dos alimentos necessários ao consumo da população», assim como «promover a produção de cereais para colmatar as necessidades da alimentação animal e para reduzir a dependência do exterior em componentes para rações».

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