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Governo repete «promessas e erros» sobre a seca no Algarve

Perante o agravamento da situação de seca em Portugal, a mais grave desde 1931, particularmente preocupante na região do Algarve, o Governo recusa-se a assumir qualquer medida de fundo.

Créditos / Pixabay

Em Portugal continental, o mês de Maio de 2022 classificou-se como extremamente quente e muito seco: o Maio mais quente dos últimos 92 anos. A situação de seca só se veio a agravar, afectando particularmente o Algarve e o Alentejo, regiões tipicamente com menor pluviosidade. Muitas albufeiras algarvios têm hoje menos água do que no início do período de chuvas do ano passado.

Neste contexto, o Governo, por via do Ministério da Agricultura e da Alimentação e do Ministério do Ambiente e da Acção Climática, reagiu enumerando umas «parcas medidas de contingência e a repetição de anúncios relacionados com o PRR».

Em comunicado, a Organização Regional do Algarve do PCP lamenta que nas considerações e opções do governo, «tenham ficado de fora, uma vez mais, as medidas de fundo que há muito a região reclama». Essas medidas estruturais necessárias passam por «um forte investimento público».

«O Algarve precisa de implementar um plano integrado em que se correlacionem as necessidades de utilização da água para múltiplos fins – consumo humano, agricultura, caudais ecológicos – com as adequadas capacidades de armazenamento», promovendo uma utilização racional e eficiente da água, garantindo sempre a universalidade do acesso e combatendo as «ameaças de privatização que alguns gostariam de concretizar».

Colheitas em perigo mas submissão à agricultura intensiva e aos campos de golfe continua

Vários agricultores e produtores da região vêm as suas culturas e o seu rendimento ameaçadas em consequência da escassez de água e do aumento dos preços de produção. Nenhuma das soluções pontuais anunciadas pelo Governo resolverá o problema.

A situação é particularmente «escandalosa» quando se encontram soluções para «regar campos de golfe ao mesmo tempo que se limita ou mesmo nega a utilização de água para a produção de alimentos a partir da Barragem da Bravura».

Entre as medidas estruturais que o PCP considera indispensáveis para a região algarvia está a «construção de barragens e de albufeiras, de que é exemplo a construção da barragem da Foupana, articulando-a e interligando-a com o actual sistema Odeleite-Beliche; a modernização e construção de estações de tratamento de águas residuais (para lá das existentes) e com um maior aproveitamento para fins múltiplos destas águas; a modernização e expansão das redes e condutas de modo a alargar a eficiência da sua utilização reduzindo significativamente as perdas».

«O Algarve precisa de implementar um plano integrado», correlacionando as necessidades de utilização da água para múltiplos fins: consumo humano, agricultura, caudais ecológicos.

Os comunistas consideram inevitável a tomada de medidas adequadas para garantir as capacidades de armazenamento para cada um destes fins, «promovendo a utilização racional e eficiente da água assente na universalidade de acesso», combatendo as «ameaças de privatização que alguns gostariam de concretizar».

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