Campanha pela libertação do euro arranca dentro de dias

O PCP promove, entre os meses de Março e Junho, a campanha com o lema «Produção, Emprego, Soberania – libertar Portugal da submissão ao euro». Debates, acções de contacto com as populações e a edição de um livro são algumas das iniciativas que compõem o programa.

O PCP recusa a impossibilidade de o País poder decidir sobre o seu próprio destino
O PCP recusa a impossibilidade de o País poder decidir sobre o seu próprio destinoCréditos

Conforme anunciado pelo secretário-geral comunista a 17 de Dezembro, no final de uma reunião do Comité Central, está prestes a iniciar-se a campanha de esclarecimento e debate acerca dos constrangimentos que impedem o desenvolvimento e o crescimento económico do País, a começar pela adesão à moeda única.

«Produção, Emprego, Soberania - libertar Portugal da submissão ao euro» – é o lema da iniciativa que se estende até ao final de Junho. O  programa compõe-se de  um ciclo de debates por todo o País, numerosas acções de contacto com populações e distribuição de panfletos, colocação de centenas de cartazes nas ruas e a edição do livro Euro, Dívida, Banca - romper com os constrangimentos, desenvolver o País. A par destas, a campanha inclui iniciativas legislativas no Parlamento e intervenções em Bruxelas.

«Partindo da identificação da realidade e dos problemas nacionais e da forma de lhes responder, nomeadamente a grave dependência externa em sectores estratégicos – como nos planos alimentar e energético –, pretendemos um grande debate no sentido de promover a produção interna e medidas possam ser postas em prática», afirmou Vasco Cardoso, membro da comissão política do Comité Central do PCP, à Agência Lusa.

Adianta este responsável que o partido recusa a «impossibilidade de o País poder decidir sobre o seu próprio destino e as ameaças e chantagens permanentes». Denunciou, a propósito da chantagem imposta aos portugueses que, «agora, mesmo com o défice orçamental primário positivo e abaixo dos limites impostos, ainda assim a dívida pública continua classificada como «lixo», ao mesmo tempo que prosseguem os recados do Fundo Monetário Internacional e da União Europeia».

Vasco Cardoso considera cada vez mais visíveis para todos as «necessidades que impelem Portugal a desamarrar-se dos constrangimentos», pois a «moeda única favorece as grandes potências e as empresas transnacionais», um «autêntico desastre» para Portugal, um dos países que «menos cresceu no mundo desde que aderiu ao euro».

Para o PCP, «Portugal precisa de remover os constrangimentos que impedem o desenvolvimento e o crescimento económico e articular isso com a renegociação da dívida e a recuperação do controlo público da banca», além da preparação para o abandono do euro, de forma negociada e faseada, se possível em conjunto com países na mesma situação. Como tal, o grupo parlamentar do PCP no Parlamento Europeu vai promover a realização de uma conferência intergovernamental sobre a moeda única.

16 depois da entrada do euro em circulação

Basta a apresentação de alguns dados e factos para confirmar os efeitos negativos que resultaram para Portugal depois da adesão à moeda única.

O desemprego em sentido restrito passou de 3,9% em 2000, para mais de 11% em 2016 (INE);

Portugal está cada vez mais longe da prometida convergência com a Europa, com um ritmo de crescimento, em média, de 0,2% ao ano desde 2000, enquanto que nos restantes países da União Europeia  o aumento foi de 1,3% (AMECO);

A dívida pública, que era 50,3% do PIB em 2000, é agora cerca de 130% da riqueza criada (INE):

Um em cada quatro portugueses continuava, em 2015, numa situação de pobreza ou exclusão social.