|Hospital Garcia de Orta

Utentes responsabilizam «obsessão com o défice» pelo desinvestimento na Saúde

A Comissão de Utentes da Saúde do Seixal exige a reposição das condições para o funcionamento «sem sobressaltos» da urgência pediátrica do Hospital Garcia de Orta e critica «obsessão pelo défice». 

Créditos / Pixabay

Numa tomada de posição, a que o AbrilAbril teve acesso, a Comissão de Utentes da Saúde do Concelho do Seixal manifesta-se «chocada» com o encerramento da urgência pediátrica do Hospital Garcia de Orta, em Almada, na noite de sábado para domingo. 

Apesar do choque, os utentes não estão surpreendidos até porque, afirmam, «era iminente que isto viesse a acontecer», recordando a conferência de imprensa realizada em Abril, onde denunciaram a falta de profissionais naquele serviço.

«O número de especialistas em Pediatria neste hospital é manifestamente insuficiente e o Governo não tem sabido, ou não quer, responder de forma eficiente a esta escassez crónica de profissionais, criando condições atractivas para a sua fixação, nomeadamente por via da dedicação exclusiva e melhores condições de trabalho e carreiras médicas», lê-se no texto.

Para a comissão de utentes, a «obsessão com o défice» está na raiz do desinvestimento e do subfinanciamento do Serviço Nacional de Saúde, servindo ao mesmo tempo para o «crescimento exponencial da medicina privada, transferindo do Orçamento do Estado para estes, cerca de metade do valor afecto ao Ministério da Saúde».

«Não se pode apontar para um défice zero ou, como já se antecipa para este ano, um excedente orçamental, quando este é conseguido à custa da degradação dos serviços públicos socialmente mais importantes», denuncia.

A posição, que a Comissão de Utentes da Saúde do Concelho do Seixal irá remeter ao Presidente da República, presidente da Assembleia da República, grupos parlamentares e Governo, entre outras entidades, reforça que o Garcia de Orta, hospital de referência do distrito de Setúbal, serve aproximadamente 500 mil pessoas, não podendo por isso ficar desprovido da urgência pediátrica, «que recebe cerca de 200 casos por dia».

Os utentes denunciam ainda que a Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos «está fechada há três meses» e manifestam a sua solidariedade com a luta dos profissionais da saúde, «reconhecendo e valorizando a sua resiliência e resistência aos ataques» que lhes têm sido aplicados, bem como ao Serviço Nacional de Saúde. 

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