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«Nem mais uma hora de urgência encerrada»

Centenas de utentes estiveram esta segunda-feira em vigília para exigir a imediata reabertura, e de forma permanente, da urgência pediátrica do Hospital Garcia de Orta, em Almada.

 

A Comissão de Utentes do Seixal promoveu uma vigília junto ao Hospital Garcia de Orta para exigir a reabertura em permanência do serviço de urgências pediátrica do Hospital Garcia de Orta. Almada, 18 de Novembro de 2019
As comissões de utentes de Almada e do Seixal promoveram uma vigília junto ao Hospital Garcia de Orta para exigir a reabertura em permanência do serviço de urgências pediátrica do Hospital Garcia de Orta. Almada, 18 de Novembro de 2019CréditosAntónio Cotrim / Agência LUSA

A vigília, convocada pelas comissões de utentes dos concelhos de Almada e do Seixal, contou com centenas de utentes que, para além de exigirem uma solução imediata, sem mais adiamentos, aprovaram uma resolução que declara como «inaceitável o encerramento das urgências pediátricas, bem como a degradação que se vem verificando na prestação dos cuidados de saúde».

Os utentes acusam o Governo de tratar a situação «de um modo ligeiro», ao não tomar as medidas necessárias, e de forma atempada, para admitir os meios humanos em falta, sejam médicos, enfermeiros, assistentes técnicos ou auxiliares.

Foi também lembrada a premência da construção dos «equipamentos de saúde em falta nos concelhos de Almada e Seixal, nomeadamente do Hospital do Seixal», promessa que sucessivos governos têm adiado desde 2009.

A falta de especialistas que afecta o hospital é conhecida há mais de um ano, quando saíram 13 pediatras, e agravou-se com o facto de, perante novos concursos lançados para a contratação, ninguém ter concorrido – situação que já tinha sido denunciada pelo Sindicato dos Médicos da Zona Sul (FNAM).

Luís Leitão, dirigente da União de Sindicados de Setúbal  (CGTP-IN), presente na vigília, lembrou que «os filhos dos trabalhadores devem ter assistência à noite» e que os governos de «PS, PSD e CDS-PP andaram a beneficiar os privados em prejuízo do Serviço Nacional de Saúde e devem ser chamados à responsabilidade», assim como devem ser contratados os profissionais em falta que «abandonaram porque não lhes dão condições».

A urgência pediátrica começou por fechar todos os fins-de-semana em Outubro, e na passada quinta-feira, a ministra da Saúde veio confirmar que a urgência do hospital iria passar estar encerrada todas as noites entre as 20h e as 8h, sugerindo como alternativa dois centros de saúde, um em Almada e um no Seixal, que alargaram o seu horário para o efeito.

Esta segunda-feira, os utentes decidiram que, caso não se verifique «a reposição deste serviço dentro de um curto prazo de tempo», será promovida uma nova acção de luta em Lisboa, em frente ao Ministério da Saúde. Até lá, a resolução aprovada será entregue ao Governo, à ministra da Saúde, à Comissão de Saúde da Assembleia da República, aos grupos parlamentares e à administração do Hospital Garcia de Orta.

Em solidariedade, estiveram presentes no protesto, Paula Santos, Bruno Dias, deputados do PCP e eleitos autárquicos.

Ministra confrontada por utentes

Enquanto visitava, esta segunda-feira, os centros de saúde Rainha D. Leonor, em Almada, e de Amora, no Seixal, a ministra da Saúde foi confrontada por largas dezenas de utentes descontentes com o encerramento da urgência pediátrica do Hospital Garcia de Orta, e que lhe entregaram a resolução aprovada na vigília.

Perante as perguntas dos populares, a ministra não foi capaz de assegurar uma resolução imediata, mas quis assegurar que o encerramento à noite da urgência pediátrica do Hospital Garcia de Orta será temporário.

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