Utentes não aceitam mais atrasos

«Haver hospital no Seixal é a diferença entre a vida e a morte»

Numa manifestação esta manhã, junto à residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento, os utentes da saúde do Seixal alertaram para a realidade que enfrentam devido ao atraso na construção do hospital. «É a diferença entre a vida e a morte», dizem.

A comissão de utentes de saúde do Seixal, acompanhada do presidente do município, alertou uma vez mais para as consequências dos sucessivos adiamentos na construção de um hospital no Seixal
A comissão de utentes de saúde do Seixal, acompanhada do presidente do município, alertou uma vez mais para as consequências dos sucessivos adiamentos na construção de um hospital no SeixalCréditosTiago Petinga / Agência Lusa

A reivindicação é quase tão antiga como o Hospital Garcia de Orta, em Almada, onde são atendidos a partir das 20h. A par do atraso na construção do Hospital do Seixal, José Lourenço, da comissão de utentes da saúde deste concelho, denuncia a falta de investimento em cuidados de saúde primários. «Nós não temos consultas a partir das 20h porque, em 2007, até os Serviços de Atendimento Permanente (SAP) nos tiraram».

Resultado disso, os utentes são obrigados a longos tempos de espera no Garcia de Orta, que podem chegar às 14 horas. José Lourenço relata que já houve um caso de uma pessoa idosa que aguardou 24 horas nas urgências daquele hospital que serve acima de 450 mil utentes, dos concelhos de Almada, Sesimbra e Seixal, embora esteja preparado apenas para 150 mil. Outros utentes denunciam a dificuldade de ir para o hospital numa situação urgente, quando têm de enfrentar, por exemplo, as longas filas na Auto-Estrada do Sul (A2).

Lourenço admite ainda que o caos se estende às consultas de especialidade, onde o tempo médio de espera para a primeira consulta é de «dois, três anos». Adianta que também aqui «já houve casos em que as pessoas faleceram quando chega a carta a casa com a marcação da consulta».

A população do Seixal lamenta que «nada tenha sido feito» nos dois anos de Governo do PS, ao mesmo tempo que denuncia a falta de «intenções» do Executivo. Recorde-se que, em 2009, foi assinado um acordo entre a Câmara Municipal do Seixal e o Ministério da Saúde, que previa a conclusão do equipamento para 2012.

O investimento de 60 milhões de euros não chegou, no entanto, a sair do papel e os utentes não aceitam que o Orçamento do Estado para 2018 não inclua uma verba para arrancar finalmente com o projecto.

Pelo concelho do Seixal está a decorrer a campanha «1 Voto pelo Hospital no Seixal», tendo reunido até ao momento 40 mil votos.