O documento, assinado por comissões de Almada, Seixal, Barreiro, Montijo, Sesimbra, Palmela, Setúbal, Quinta do Conde (Sesimbra), Pinhal Novo e Bairro dos Marinheiros (Quinta do Anjo, Palmela), alerta para uma situação «distinta da retórica»: a região tem o PIB per capita mais baixo de Portugal, uma mortalidade infantil acima da média nacional e cerca de 252 mil utentes sem médico de família.
«A falta de resposta adequada de cuidados de saúde na Península de Setúbal não só agrava desigualdades, como compromete a confiança da população» no Serviço Nacional de Saúde (SNS)», lê-se no manifesto subscrito na reunião do passado sábado.
As comissões denunciam, em particular, o encerramento da urgência obstétrica e ginecológica do Hospital do Barreiro – unidade onde foram realizados mais de 16 mil partos entre 2014 e 2024. Admitem que o encerramento, que consideram «incompreensível e injustificável», vai sobrecarregar o Hospital Garcia de Orta, em Almada, e potenciar «partos realizados em ambulâncias», já registados na região devido ao reencaminhamento de grávidas.
Consideram as estruturas que «é por demais evidente, há muito tempo, que existe uma estratégia, planeada e executada ao milímetro, de menorização e descredibilização do SNS, por parte dos sucessivos governos, com o contributo essencial dos media que o poder central e os seus financiadores controlam». Admitem que «um governo prepara, o seguinte executa e encerra», onde o objectivo «é, claramente, a privatização» do serviço público. «Enquanto se apregoa o "caos" no SNS, cresce a oferta privada de camas e serviços. Com o crescimento exponencial da oferta privada, começam já a aumentar o preço dos seguros e a diminuição dos serviços convencionados», criticam.
As soluções apontadas pelos utentes passam pela construção do Hospital do Seixal, há muito exigida, pela reactivação do Hospital do Montijo e pela criação de novas unidades de cuidados primários, bem como pela valorização dos profissionais de saúde, com a reposição das 35 horas, actualização das grelhas salariais, melhoria das condições de carreira e integração dos internos.
«Só o Serviço Nacional de Saúde pode garantir [...] serviços de qualidade, acesso universal e tendencialmente gratuitos», lê-se no manifesto. Por isso, acrescenta, «carece de financiamentos e investimentos que lhe acrescentem valor, não só ao nível da sua modernização mas, essencialmente, dos recursos humanos de que carece cada vez mais», não obstante o «enorme esforço dos profissionais que o integram».
O documento estende a crítica à degradação acentuada de outros serviços públicos – Segurança Social, educação, justiça, transportes, água, resíduos, comunicações, cultura e desporto –, fruto dos «ataques das políticas de direita».
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