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Base das Lajes: direita usa a bandeira na lapela mas ajoelha-se perante os EUA

Foi à discussão no Parlamento duas propostas de Inquérito Parlamentar sobre a decisão do Governo português de se envolver na agressão militar dos EUA e Israel ao Irão com a cedência da Base das Lajes. Ante as evidências, a PSD e Chega mostraram-se dispostos a vender a pátria e a envolvê-la na guerra. 
 

Créditos José Sena Goulão / Agência Lusa

«Para ser justo há países da NATO que foram muito úteis para nós. Vou só dizer um: Portugal. Disseram que sim, mesmo antes de perguntarmos o que quer que fosse». Quem disse isto sobre a utilização da Base das Lajes foi Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos que, sem querer, acabou por confessar que o seu país está a envolver Portugal num conflito internacional.

Acontece que tal contraria o acordo de utilização da Base das Lajes por parte do EUA e o Governo português, tendo conhecimento de tal, colocou o país envolvido numa guerra que não é sua, ao arrepio da Constituição da República Portuguesa. Quem o denunciou prontamente foi o PCP que deu entrada de um pedido de «Inquérito Parlamentar à decisão do Governo português de se envolver na agressão militar dos EUA e Israel ao Irão, com as suas consequências».

Na sua intervenção realizada hoje na Assembleia da República, a líder da bancada parlamentar comunista, afirmou que «é de registar que, sobre a autorização de utilização da Base das Lajes, tenha havido, da parte do Governo português, uma tentativa de ocultação da sua decisão e cumplicidade».

Ao longo da sua intervenção, Paula Santos acusou o Executivo de se comportar como «súbdito» dos EUA, o que considera ser «uma vergonha para quem assim compromete os interesses do País». A par desse aspecto, a deputada do PCP caracterizou  a posição do Governo como «irresponsável e inadmissível», também pelas implicações da guerra no plano económico com o agravamento das condições de vida resultantes da «escalada belicista acicatada pelo imperialismo norte-americano».

Para justificar um o inquérito parlamentar, o PCP entende que há questões por esclarecer, como que indicações foram dadas pela administração norte-americana quanto aos fins a que se destinavam as operações militares a realizar pelas suas Forças Armadas em território nacional ou o que esclarecimentos foram pedidos pelo Governo português.

Não deixa de ser interessante que após a intervenção de Paula Santos, os primeiros pedidos de esclarecimento tenham vindo da bancada do Chega, pelo deputado Pedro Correia. Num discurso atabalhoado, além de invocar a Rússia e a China para defender as ilegalidades defendidas pelos EUA, o deputado do partido de extrema-direita quis discorrer sobre axiomas porque, segundo o mesmo, «na política internacional não há bons, mas sim interesses e meios sempre escassos».

De acordo com o mesmo, «o direito internacional é um direito imperfeito», uma vez que não possui «jus império», sendo «um catálogo de normas morais, tratados e costumes da civilização ocidental e que só funciona quando os poderosos concordam ou impõem». Como não podia deixar de ser, o Chega veio defender os interesses americanos, mesmo que esses subjuguem a pátria.

Depois de Paula Santos, foi a vez do BE apresentar a sua proposta de Inquérito Parlamentar à cedência de utilização da Base Lajes e do espaço aéreo nacional por parte dos EUA. Expondo as contradições, Fabian Figueiredo considerou que votar contra seria não querer apurar a verdade.

O único pedido de esclarecimento veio do deputado do PSD, Carlos Silva Santiago que, face aos pedidos do PCP e do BE de se ver apurado a violação do acordo de utilização da Base das Lajes e o incumprimento da Constituição, considerou ser «uma tentativa de transformar divergência ideológicas sobre política externa numa narrativa de cirse institucional». O deputado do PSD, de resto, usou a palavra para ilibar o Governo ao serviço dos interesses norte-americanos. «Senhoras e senhores deputados, o PCP aproveita este debate para repetir a velha cartilha ideológica contra os EUA, contra a NATO e contra a relação transatlântica», considerou Silva Santiago num esforço hercúleo para defender as ilegalidades da Administração Trump. 
 

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