Num comunicado enviado às redacções, o MUSP defende que o documento enviado pelo Governo à Assembleia da República representa um retrocesso em várias frentes: mais precariedade, menos direitos, salários mais baixos, perda de poder de compra e horários desgastantes que prejudicam a vida familiar. Sendo um «ataque aos direitos de quem trabalha», a organização admite que as medidas vertidas no pacote laboral são também uma ameaça aos direitos dos utentes. «A falta crónica de funcionários e o desrespeito pelas carreiras estão a empurrar os profissionais mais qualificados para fora dos serviços públicos. Quem sofre com isto? Todos nós, utentes!», lê-se na nota.
O MUSP sublinha que a qualidade dos serviços que os cidadãos utilizam diariamente, desde a saúde à educação, passando pelos transportes, justiça, segurança social e autarquias, «depende directamente da dignidade de quem nos atende», admitindo por isso que «a luta deles é a nossa luta».
«Barreira cívica em defesa do bem comum»
Para o MUSP, a greve geral de 3 de Junho contra o pacote laboral do Governo e das confederações patronais «não é apenas uma exigência laboral», mas antes «uma barreira cívica em defesa do bem comum e do direito a um país que respeite os seus cidadãos». Certa de que «a qualidade dos serviços que usamos depende directamente da dignidade de quem nos atende», a organização aponta as exigências reclamadas pelos profissionais de vários sectores e o impacto que teriam nos utentes, a começar pela saúde.
«Exigir salários justos para médicos e enfermeiros é salvar o SNS e garantir consultas e cirurgias a tempo», afirma. «Defender os professores e funcionários é garantir uma Escola Pública de excelência para os nossos filhos, com turmas mais pequenas», acrescenta. Já no sector dos transportes, admite que contratar mais profissionais e acabar com turnos exaustivos significa mais segurança, mais horários e carruagens ou autocarros «a horas». Sustenta ainda que, também na justiça, Segurança Social e autarquias, «valorizar as carreiras garante um atendimento rápido, justo e eficaz para toda a população».
Comissões de utentes «nunca regatearam apoio»
Também as comissões de utentes do Médio Tejo manifestam o seu apoio à greve geral convocada pela CGTP-IN para esta quarta-feira. «As Comissões de Utentes nunca regatearam o seu apoio a melhores condições de trabalho e valorização profissional dos trabalhadores portugueses, tanto nas empresas privadas, como nos serviços públicos», lê-se numa nota dos Utentes dos Serviços Públicos do Médio Tejo, enviada às redacções.
«O Governo, sem que isso constasse nos seus programas dos dois últimos actos eleitorais, resolveu apresentar na Assembleia da República um pacote laboral que é uma afronta aos direitos laborais dos trabalhadores», critica. «Entre outras retiradas de direitos», sublinha, o documento do Governo do PSD e do CDS-PP «promove a precariedade; facilita despedimentos sem justa causa; desregula e aumenta horários sem aumento de salários; dificulta a contratação colectiva; facilita despedimentos de trabalhadores sem necessidade e a contratação de outros, a ganhar menos, o que em tudo provocaria a redução em vez do aumento de salários».
Neste sentido, os Utentes dos Serviços Públicos do Médio Tejo entendem que os trabalhadores de empresas privadas e de entidades que prestam serviços públicos «têm razões de sobra para exigir mais salários e mais condições de trabalho», e de recusar as propostas do Executivo de Luís Montenegro.
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