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Saem mais 4,7 milhões da Câmara de Lisboa para a Web Summit

A Câmara Municipal de Lisboa aprovou esta quinta-feira a permanência da Web Summit na capital e o investimento de mais 4,7 milhões de euros. PCP critica o apoio «excessivo» a um evento privado.

Créditos / Web Summit

A ratificação do acordo para a organização e realização da cimeira tecnológica Web Summit, entre 2019 e 2028, celebrado entre o Estado, a Câmara Municipal lde Lisboa e a Connected Intelligence Limited (empresa que organiza o evento), em 5 de Novembro de 2018, à margem dos vereadores da oposição, foi aprovada ontem com os votos a favor do PS e do CDS-PP, e a abstenção do PSD. O PCP votou contra e, curiosamente, também o BE, apesar de há duas semanas ter viabilizado a cabimentação orçamental.

Segundo explicou anteriormente fonte oficial da autarquia à Lusa, este acordo «prevê a expansão da área expositiva para 90 mil metros quadrados, no total, e um faseamento que permita o crescimento do evento enquanto isto não ocorrer», tendo sido agora acordado com a organização «uma adenda ao contrato inicial que prevê, uma vez que ainda decorrem negociações para a expansão», um adiamento desta expansão, inicialmente prevista para 2021, para 2022.

Em relação ao faseamento, acrescentou, «inicialmente previa-se 13 000 m2 para 2019 através da construção na FIL [Feira Internacional de Lisboa] dos interstícios (fecho dos espaços entre pavilhões da FIL) e 18 000 m2 em espaços provisórios (tendas). Com esta adenda, de 2019 até 2022, serão disponibilizados no máximo 31 000 m2 de áreas, sejam elas de natureza provisória (tendas) ou definitiva (pavilhões construídos)».

Uma vez que «as obras de expansão do recinto não se encontram ainda implementadas» é «necessário disponibilizar os espaços necessários à realização do evento, ainda que de natureza temporária» para «assegurar a edição deste ano», que arranca na próxima segunda-feira, implicando a transferência de 4,7 milhões de euros para a Associação de Turismo de Lisboa, além dos três milhões que a autarquia tem de pagar anualmente para a realização do evento.

Na prática, os 4,7 milhões de euros são relativos ao aluguer de espaços (FIL e Altice Arena), às tendas provisórias para garantir as áreas de exposição que a organização necessita e a aquisição de logística de comunicação, designadamente «wi-fi de última geração».

O acordo para a manutenção da Web Summit em Lisboa prevê um investimento público anual de, pelo menos, 11 milhões de euros pelo período de dez anos, dos quais três milhões serão atribuídos pelo município lisboeta.

O investimento é público, a gestão também deve ser

Num comunicado, os eleitos do PCP na Câmara de Lisboa afirmam que «nada têm a opor» à ampliação da FIL ou à construção, em local a determinar, de um outro centro de congressos e exposições na cidade de Lisboa, que dinamize a economia da capital e do País. Todavia, sublinham que não estão de acordo com a forma como se pretende alcançar este objectivo.

«Não é aceitável condicionar um equipamento desta importância a um evento como a Web Summit ou outro qualquer para justificar a ampliação da FIL ou construção de um novo Centro de Exposições», lê-se na nota.

Cientes de que a realização deste evento «é importante» para a cidade de Lisboa e para o País, «quer pela temática, quer pela projecção, quer pela atracção de pessoas de diversos países», os vereadores comunistas criticam o compromisso assumido pela autarquia de atribuir um subsídio de 3 milhões de euros anuais, a par de um conjunto de outros apoios indirectos, a «um evento de uma entidade privada que visa o lucro». 

Um investimento desta natureza e dimensão, afirmam, «deve ser planeado e concretizado» de forma a garantir a sua utilidade pública e privada, tendo em vista a satisfação do progresso económico e das necessidades públicas. «Somos favoráveis à possibilidade de existir um espaço com capacidade de albergar grandes eventos, mas se há investimento público deve haver gestão pública», insistiu João Ferreira.

Os vereadores do PCP recordam a discordância quanto à criação e gestão do Fundo de Desenvolvimento Turístico de Lisboa, através do qual a Câmara Municipal vai financiar a realização da Web Summit, salientando que as verbas adstritas a este fundo deveriam ser utilizadas para minimizar os efeitos negativos que a carga turística provoca à cidade e à sua população.

Com agência Lusa

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