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População de Oliveira de Azeméis contesta subida do preço da água após concessão

Cerca de 5000 oliveirenses lançaram uma petição onde denunciam a degradação da gestão das águas desde a concessão à Indaqua e exigem um «preço justo» por um bem que «é de todos e para todos».

O STAL afirma que «para evitar os enormes riscos da privatização e o pagamento de indemnizações milionárias», serviços essenciais como a água nunca deviam ter saído da esfera pública.
Créditos / Pixabay

«A partir do momento que a gestão das águas do concelho de Oliveira de Azeméis passou a ser gerida por uma concessão – Indaqua – o serviço passou a ser mau a nível de qualidade, água turva e preta por vezes a sair das torneiras, cortes pontuais, havendo até alguns dias sem água», lê-se na petição. 

À degradação do serviço soma-se um «aumento gradual no valor das facturas», agravado num tempo em que muitas famílias estão a perder rendimentos à boleia da pandemia de Covid-19. A população denuncia que o aumento do valor da factura por parte da Indaqua confirma a existência de qualquer responsabilidade social e uma «total falta de respeito» pelos utentes.

«Esta é uma altura para ajudar e não para prejudicar», refere-se na petição, alertando ainda para o «enorme receio» da próxima factura por parte dos habitantes de Oliveira de Azeméis (distrito de Aveiro), que, perante crise de saúde pública, são obrigados a passar mais tempo em casa, nomeadamente a cozinhar e a «lavar constantemente as mãos». 

No texto, que tem o propósito de chegar à Assembleia da República, exige-se ainda que as leituras sejam feitas «correctamente», que não haja um aumento das taxas e que as facturas «não sejam baseadas em estimativas exageradas».

Segundo notícia publicada esta terça-feira no JN, apesar de a Indaqua se escudar no argumento de que a revisão tarifária ocorrida a 1 de Janeiro passou pelo crivo da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) e foi aprovada em 2019 pela Câmara e Assembleia Municipal de Oliveira de Azeméis, há famílias a denunciar facturas no valor de 260 euros.

Apesar da baixa qualidade do serviço, também o presidente do Município, Joaquim Jorge (PS), reconhece ao diário que há um «aumento substancial» e que não pode «obrigar a concessionária a reduzir tarifários». «Estamos tantas vezes sem água e ainda nos espetam com tarifas destas», denuncia uma utente.

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