|Lisboa

O 25 de Abril de Carlos Moedas é «esbatido, diluído, quase ausente»

Pelo segundo ano consecutivo, a Câmara de Lisboa (PSD/CDS/IL) não vai realizar um concerto nas vésperas do 25 de Abril. Mais de 600 personalidades defendem a necessidade de «ocupar a cidade com Abril».

CréditosTiago Petinga / Lusa

«A forma como são apresentadas as chamadas Festas de Abril — celebrando «o regresso do sol, das flores, da boa disposição, a vontade de sair de casa e de fazer coisas com os amigos» — desloca completamente o centro de gravidade daquilo que Abril verdadeiramente representa», consideram os mais de 600 signatários de uma carta aberta dirigida a Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa (PSD/CDS-PP/IL). Pelo segundo ano consecutivo, a autarquia não vai realizar o concerto de celebração da revolução, na noite de 24.

Ainda que a organização da programação cultural da autarquia esteja a cargo da empresa municipal EGEAC, os subscritores desta carta aberta consideram impossível «dissociar-se da responsabilidade política do executivo municipal, nem da tutela» que Carlos Moedas decidiu assumir directamente sobre a cultura na cidade — o contraponto com a Primavera que a autarquia quer celebrar faz-se com um 25 de Abril «esbatido, diluído, quase ausente». 

O «esvaziamento» e «progressiva desvalorização» do carácter do 25 de Abril «não se apresentam de forma frontal. Pelo contrário, insinuam-se de modo discreto, quase inofensivo, como se nada estivesse verdadeiramente em causa». No entanto, «Abril não é um adereço sazonal nem um pretexto decorativo» – «é um compromisso permanente com a liberdade e a dignidade de todos — um processo vivo de participação, justiça social e construção de uma cidade aberta, plural e multicultural, onde todas as vozes têm lugar».

O documento defende que a cidade de Lisboa, onde a Revolução ganhou corpo, deve assumir a sua responsabilidade histórica, e democrática, de proteger o legado do 25 de Abril. Um legado em que também se inscreve a necessidade de uma «programação cultural rica, descentralizada e acessível a todos os bairros — incluindo aqueles que frequentemente ficam à margem da oferta cultural».

A carta aberta foi assinada por personalidades como os escritores Mário de Carvalho, Tiago Torres da Silva, Sandro William Junqueira, Alexandra Lucas Coelho e os poetas João Monge e Maria do Rosário Pedreira, as actrizes Sofia Aparício, Ana Sofia Paiva e Rita Brutt, os músicos Vitorino, Carlos Mendes, Cristina Branco, Mitó (Naifa/Cara de Espelho) e Xullaji, o realizador Manuel Pureza e os actores André Gago e Ricardo Raposo.

Eleitos autárquicos do Bloco de Esquerda e da Coligação Democrática Unitária (PCP/PEV) estão também entre as centenas de pessoas que subscreveram o documento.

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