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|Benavente

Aliança AD/Chega em Benavente mente à população sobre alegado défice

Numa reunião da Assembleia Municipal, o Executivo da Câmara Municipal de Benavente AD/Chega acusou a anterior gestão CDU de ter deixado a autarquia numa situação de défice. Feitas as contas, o município fechou o ano de 2025 com um saldo de gerência superior a 8 milhões de euros.
 

Sónia Ferreira, presidente da Câmara Municipal de Benavente, a cumprimentar Luís Montenegro Créditos António Pedro Santos / Agência Lusa

O Município de Benavente encerrou o ano de 2025 com um saldo de gerência de 8 667 153,35 euros e um saldo de equilíbrio corrente positivo de 809 808,04 euros, de acordo com os dados contabilísticos oficiais. Estes números contrariam frontalmente as alegações recentemente feitas pela aliança AD/Chega, que afirmou existir um «défice» superior a 1,5 milhões de euros nas contas municipais.

A narrativa criada pela direita no concelho de Benavente procura justificar a inacção na gestão autárquica, porém, a comissão concelhia do PCP desmente as acusações. Recorde-se que os comunistas lideram o Executivo da autarquia no quadro da coligação CDU.

A polémica surge num contexto após uma revisão orçamental realizada em Fevereiro de 2026, que confirmou exactamente os 8 667 153,35 euros de saldo de gerência de 2025 contribuiu para que autarquia fizesse face aos prejuízos causados pelas tempestades e cheias que assolaram o concelho, estimados em cerca de 10 milhões de euros .

Esta revisão orçamental, aprovada na Assembleia Municipal, contou com votos favoráveis da AD (PSD/CDS-PP), da CDU e do PS, e a abstenção do Chega, demonstrando que a própria coligação que agora critica as contas reconheceu a necessidade de utilizar o saldo positivo existente.

Conforme afirma o PCP, recorrendo aos dados públicos, a alegação de um suposto défice superior a 1,5 milhões de euros resulta de uma leitura errada de amortizações do património municipal que são «meros registos contabilísticos sem qualquer correspondência com saída efectiva de dinheiro dos cofres municipais, e por despesa e receita orçamentadas que não se concretizaram no ano».

A isto acresce ainda análise da relação entre a receita total e despesa total que se situou nos 125,63% em 2025, e a relação entre receita corrente e despesa corrente nos 104,21%, o que para o PCP revela uma «situação financeira superavitária e não qualquer rombo nas contas».

Para os comunistas, «o que está em causa é uma tentativa do executivo municipal de branquear a sua falta de propostas e de procurar justificar uma agenda de desinvestimento e de ataque aos serviços públicos municipais que se prepara para levar a cabo». 
 

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