No início da semana, o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, protagonizou um momento caricato ao fugir de um grupo de cerca de cinco alunos do ensino secundário a meio de uma conversa, furtando-se a explicar publicamente (estavam todos na presença de câmaras e jornalistas) o que se estava a passar com os exames nacionais e as soluções do Ministério para resolver os atrasos nos resultados e na segunda fase.
Na quinta-feira, foi a vez de Fernando Alexandre fugir a um encontro com meia centena de professores de Coimbra em protesto, organizados pelo Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC/CGTP-IN), que integra a Federação Nacional dos Professores (Fenprof). À entrada do Convento de São Francisco, onde se realizava uma sessão das comemorações do aniversário do Instituto Politécnico de Coimbra, o ministro da Educação fez uso da polícia para escapar para dentro do edifício sem ter de falar com os profissionais que tutela.
Nessa sessão, protegido das denúncias dos profissionais que dão corpo a todo o processo de realização dos exames, o ministro garantiu que os professores «estão a corrigir as provas muito rapidamente, porque este modelo é muito mais eficiente». Há um pequeno atraso, assumiu Fernando Alexandre, mas «estamos a falar de três dias, de 14 para 17 [de Julho], é na mesma semana. Pode ter causado alguma perturbação na vida de algumas pessoas, mas foi uma decisão que eu tomei. Politicamente, pareceu-me que reduzir, nem que fossem dois dias, o prazo de avaliação que os professores tinham para corrigir era estar, isso sim, a poder, de alguma forma, por em causa o rigor da avaliação».
O rigor não se aplica, por exemplo, a Beatriz, uma estudante que aderiu ao protesto do sindicato. A aluna tem «duas provas marcadas para o mesmo dia e à mesma hora e que são, as duas, essenciais para a sua candidatura ao ensino superior», refere nota da Fenprof. Esta última situação vivida no Ministério da Educação é a «gota de água que fez transbordar o copo»: o ministro «tem de assumir as suas responsabilidades políticas, pois não tem condições para continuar a governar».
A federação sindical denunciou «a falta de professores, a crescente desvalorização da profissão, a degradação das condições de trabalho, os atrasos na revisão do Estatuto da Carreira Docente, as injustiças na carreira e os sucessivos problemas que têm marcado a organização do ano lectivo e dos exames nacionais».
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